Eles Querem Leiloar a Pátria – Presidente Acusa Filho de Bolsonaro de Tentar Vender

BRASIL À VENDA? Lula acusa filho de Bolsonaro de tentar 'leiloar o país' a estrangeiros. O ataque direto incendeia a polarização política e coloca a soberania nacional no centro da guerra entre o atual governo e o clã Bolsonaro.

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou dois adversários políticos pré-candidatos à Presidência brasileira de Outubro pelo alinhamento que têm em relação à Casa Branca e acusou-os de quererem “vender o Brasil” aos Estados Unidos.

trégua política no Brasil parece ser uma miragem distante. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou um evento oficial para lançar um ataque frontal contra a família do seu antecessor. Desta vez, o alvo foi um dos filhos de Jair Bolsonaro, a quem Lula acusou de agir como um “corretor de imóveis da nação”, tentando negociar ativos estratégicos do país no exterior.

A Acusação: “Leilão da Soberania”

Lula afirmou que as recentes movimentações e viagens internacionais dos filhos de Bolsonaro têm como objetivo real atrair compradores para empresas estatais e reservas naturais que, segundo ele, pertencem ao povo brasileiro.

  • Retórica de Defesa: O presidente utilizou o argumento da “soberania nacional” para pintar o clã Bolsonaro como inimigos do desenvolvimento interno.
  • Foco nas Estatais: O discurso sugere que a oposição está a preparar terreno para privatizações massivas caso regressem ao poder, algo que Lula classifica como a “liquidação do Brasil”.

A Reação do “Clã”

A resposta não tardou. Nas redes sociais, os filhos de Bolsonaro rebateram as acusações, classificando as falas de Lula como “cortina de fumaça” para esconder problemas económicos do atual governo. Argumentam que as suas viagens visam atrair investimento privado para gerar empregos, e não “vender o país”.

“Eles não sabem construir, só sabem leiloar o que o povo levou décadas a edificar. O Brasil não está à venda,” declarou Lula, sob aplausos de apoiantes.

Polarização em Chamas

Analistas políticos indicam que este ataque direto serve para consolidar a base eleitoral de Lula, focada na defesa do Estado forte, ao mesmo tempo que coloca a família Bolsonaro numa posição defensiva. O embate reforça a divisão do país entre dois modelos económicos opostos: o nacionalismo estatal versus o liberalismo de privatizações.

Lula da Silva citou especificamente o senador Flávio Bolsonaro e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, ambos políticos de direita, ao declarar que o Brasil não pode abrir mão de minerais considerados estratégicos. “O Flávio Bolsonaro quer vender para os Estados Unidos algo que é muito importante para o Brasil”, afirmou Lula da Silva, em entrevista ao portal ICL Notícias. 

Há duas semanas, o filho mais velho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, durante um evento de políticos conservadores nos Estados Unidos, defendeu o fornecimento dos minerais críticos do Brasil ao Governo de DonaldTrump, em retaliação à China. Sobre Ronaldo Caiado, Lula da Silva classificou como uma “vergonha” a assinatura de um memorando de entendimentos feito pelo Governo de Goiás com os Estados Unidos sobre a exploração de minerais críticos e terras raras no estado da capital brasileira. 

“É uma vergonha, inclusive, o que o Caiado fez em Goiás. O Caiado fez um acordo com uma empresa americana, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União”, declarou. Na avaliação do Presidente brasileiro, é necessária cautela para se evitar a entrega de activos estratégicos e recursos naturais do Brasil. 

“Se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir que depois de levar nosso ouro, nossa prata, nossas florestas, o que eles querem mais?”, questionou o Chefe de Estado. “O que querem esses brasileiros que têm complexo de vira-lata, que vão para os Estados Unidos pedir para o Trump invadir o Brasil, prometem dar para o Trump aquilo que quem tem vergonha não oferece? Nós vamos deixar?”, insistiu.

Terras raras é um conjunto de 17 elementos químicos encontrados em abundância em vários países, e são utilizados essencialmente para tecnologia de ponta e fundamentais para a transição energética. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil, o país tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o que tem provocado forte cobiça e pressão da Casa Branca sobre o Governo de Lula da Silva.

Suspenso imposto de 12% sobre exportação de petróleo

Um juiz brasileiro suspendeu provisoriamente o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto estabelecido pelo Governo, na sequência de um recurso interposto pelas petrolíferas Petrogal, Repsol Sinopec, Equinor, TotalEnergies e Shell. O magistrado Humberto de Vasconcelos Sampaio, da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, um tribunal de primeira instância, reconheceu a validade do recurso interposto pelas petrolíferas, segundo o qual o imposto tem carácter “meramente arrecadatório”, e isentou de qualquer tipo de sanção as empresas que solicitaram a sua revogação, noticiou o jornal Estadão.

“A imposição repentina de uma taxa de 12% representa, na prática, a introdução de um novo encargo fiscal, com impacto económico imediato e finalidade fiscal declarada”, indicou o juiz no acórdão, citado pelo diário Valor Econômico. A decisão suspende a exigibilidade do Imposto de Exportação, criado pela Medida Provisória (MP) nº 1.340/2026, que prevê a cobrança de 12% sobre exportações de petróleo bruto e 50% sobre as vendas de diesel ao exterior, assim como afasta penalidades e sanções, como impedimentos para certidão de regularidade fiscal, inscrição no CADIN (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal, que, entre outros efeitos, gera restrições de crédito), entre outras medidas restritivas.

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