Ataque com drone a mercado em Nyala faz mais de 100 mortos no Sudão

O grupo Emergency Lawyers atribui ao exército sudanês o ataque a um mercado em Darfur do Sul, que fez mais de 100 mortos e 113 feridos. Em Cartum, outro ataque deixou a cidade sem eletricidade.
Ataque com drone a mercado em Nyala faz mais de 100 mortos no Sudão

Mais de 100 pessoas morreram num ataque com drone a um mercado movimentado em Nyala, capital da província de Darfur do Sul, no sudoeste do Sudão. O balanço foi divulgado pelo grupo Emergency Lawyers, que acompanha a violência no país e que aponta como responsável o exército sudanês.

Segundo o grupo, o ataque ocorreu na noite de segunda-feira e deixou ainda 113 feridos, sendo muitas das vítimas mulheres e crianças. Num comunicado, a organização afirma que o massacre "transformou um mercado civil num cenário de morte e ferimentos em massa", e pede uma investigação independente ao sucedido.

Hospital sob pressão

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) tinha already indicado, antes deste balanço, que 36 corpos deram entrada no hospital de Nyala, onde trabalham profissionais da organização. A MSF referiu ainda ter visto 150 feridos na sala de urgências.

Nyala está sob controlo das Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que combate o exército sudanês desde 2023.

Cartum sem eletricidade

No mesmo dia, grandes áreas da capital sudanesa ficaram sem eletricidade durante mais de 12 horas, depois de um ataque com drone a uma importante subestação de energia, segundo um responsável de uma empresa elétrica. Hospitais e padarias passaram a depender de geradores e o abastecimento de água em Cartum ficou limitado.

A Companhia Sudanesa de Distribuição de Eletricidade, estatal, reconheceu "danos graves e falhas técnicas" na rede e em várias estações e linhas principais, sem explicar a causa. A empresa pediu desculpa aos residentes de todo o estado de Cartum pelas falhas repetidas e prolongadas.

Escalada da guerra de drones

Os drones têm sido uma constante neste conflito, mas nas últimas semanas os ataques intensificaram-se de forma massiva, tanto por parte das RSF como do exército, com centenas de mortos. Ambos os lados têm lançado drones carregados de explosivos que, em vários casos, atingiram infraestruturas civis, como hospitais, barragens, escolas, mercados e campos de deslocados. De acordo com a ONU, estes ataques tornaram-se a ameaça mais mortal para os civis.

A guerra começou em abril de 2023, quando as tensões entre o exército e as RSF degeneraram em combates abertos em Cartum e se estenderam ao resto do país. O conflito criou a maior crise humanitária do mundo, com cerca de 34 milhões de pessoas, quase dois em cada três sudaneses, a precisarem de assistência, segundo a ONU.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo.

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