A média anual de mortes relacionadas com o calor subiu quase 36% em todo o mundo depois da entrada em vigor do Acordo de Paris. A conclusão consta do 10.º relatório Lancet Countdown sobre Saúde e Alterações Climáticas, divulgado hoje, liderado pelo University College London (UCL) em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Um recorde em 2023
Só em 2023, o calor foi associado a um recorde de 710.000 mortes, das quais mais de 70% foram atribuídas às alterações climáticas provocadas pela atividade humana, segundo o documento.
Entre 2016 e 2023, o calor esteve associado a uma média estimada de 540.800 mortes por ano. Destas, 68% (369.900) foram causadas pelas alterações climáticas, contra 55% (219.100) por ano no período de 2006 a 2015. No total, os cálculos apontam para quase três milhões de mortes por calor provocadas pelas alterações climáticas entre 2016 e 2023.
Ação climática com benefícios, mas insuficiente
Os autores reconhecem que as medidas tomadas para limitar o aquecimento global trouxeram "benefícios concretos para a saúde", mas consideram-nas insuficientes para compensar os danos crescentes. Por isso, defendem que as alterações climáticas sejam declaradas "uma emergência de saúde global".
Anthony Costello, copresidente do Lancet Countdown, afirma que há provas de que a ação climática centrada na saúde funciona: ar mais limpo, sistemas de saúde mais resilientes e sistemas de alerta estão, diz, a proteger vidas. Contudo, o ritmo e a escala da redução das emissões "continuam muito aquém do que é necessário".
Combustíveis fósseis em sentido contrário
O relatório aponta que os planos de produção de combustíveis fósseis estão cada vez mais afastados da meta do Acordo de Paris, que visa limitar o aquecimento a 1,5°C. As 100 maiores empresas de petróleo e gás planeiam produzir, até 2040, mais 150% de combustíveis fósseis do que o volume compatível com essa meta, acima dos 138% previstos em 2025.
Os subsídios líquidos aos combustíveis fósseis duplicaram desde 2016 e atingiram níveis recorde entre 2022 e 2024. Neste último ano, 10 países gastaram mais com esses subsídios do que com os respetivos sistemas de saúde.
Antes da COP31
O estudo reúne o trabalho de 146 investigadores de mais de 100 instituições de cerca de três dezenas de países. É divulgado a pouco mais de uma semana do início da 31.ª conferência das Nações Unidas sobre o clima, que decorre de 9 a 20 de novembro, na Turquia.
Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo.
