Delcy Rodríguez critica regresso de Machado e fala em “espetáculo”

A Presidente interina da Venezuela acusou a Nobel da Paz de encenar o regresso após dez meses de exílio. A oposição insiste em participar nas negociações sobre a transição.
Delcy Rodríguez critica regresso de Machado e fala em "espetáculo"

A Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, acusou a líder da oposição e prémio Nobel da Paz 2025, María Corina Machado, de transformar o seu regresso ao país num "espetáculo". Em declarações transmitidas pela televisão estatal, afirmou que o episódio podia ter sido evitado, lembrando que "há aqui aeroportos".

Regresso surpresa e viagem até Caracas

Machado voltou à Venezuela no domingo, 25 de outubro, depois de dez meses fora do país. Tinha saído em dezembro de 2025 para receber o Nobel da Paz e, segundo a imprensa, passou meses escondida em meio à repressão do governo de Nicolás Maduro. Apareceu de surpresa em Barquisimeto, no oeste do país, e seguiu de carro para Caracas, num trajecto de quase 400 quilómetros. Ao longo da estrada, milhares de apoiantes concentraram-se para a saudar.

Negociações sem a Nobel

Delcy Rodríguez governa desde 3 de janeiro, data em que Maduro foi capturado pelo Exército norte-americano. Conduz, com uma ala da oposição, negociações apoiadas por Washington para uma transição democrática, das quais Machado foi excluída. Segundo a imprensa brasileira, esses contactos visam reformular o conselho eleitoral e o tribunal superior antes de eventuais eleições.

A porta-voz de Machado, Claudia Macero, afirmou à Unión Radio que a líder opositora quer sentar-se à mesa das negociações, não só com Rodríguez, mas com quem for necessário, "de forma pública, transparente e com uma agenda clara". Para Macero, o regresso é a resposta a um processo que exige a participação de "todas as partes" e "não pode deixar María Corina de fora". Sublinhou ainda que não há transição nem eleição credível sem a força e a legitimidade das pessoas que Machado representa.

Tom mais moderado e posição de Washington

Depois das declarações mais duras, numa visita a um hospital militar em Caracas, Rodríguez baixou o tom. Disse esperar que o diálogo continue a oferecer espaço à participação política e que todas as vozes possam ser ouvidas. Pediu também que "aqueles que clamaram por sanções e agressão externa" sintam remorso e arrependimento.

Segundo o G1, o regresso de Machado pode afectar a relação com a administração de Donald Trump. Washington afirmou que ela tem todo o direito de estar na Venezuela, mas elogiou Rodríguez e apoia um processo de negociação que não inclua o movimento Vente Venezuela, de Machado. Rodríguez reuniu-se pela primeira vez com Trump no mês passado, em Nova Iorque.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo, G1 — Mundo.

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