A Rússia afastou a participação das Nações Unidas nas próximas negociações sobre a Ucrânia. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexandr Alimov, afirmou à agência Interfax que a questão não está em cima da mesa, por considerar que a organização não age em nome de todos os Estados-membros.
«A ONU somos nós (os Estados-membros), e não a Secretaria», declarou o diplomata, defendendo que a organização deve atuar com um mandato dos países que a compõem. Alimov acrescentou que, se esse mandato e esses poderes forem atribuídos, a ONU «será bem-vinda», mas sublinhou que, neste momento, a hipótese não se coloca.
Território em aberto
No mesmo dia, o Kremlin não excluiu que as cedências territoriais possam ser tema de negociação com Kyiv, sem avançar pormenores. O porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, disse na conferência de imprensa telefónica diária que todas estas questões, «de uma forma ou de outra», podem ser debatidas numa tentativa de solução pacífica.
Peskov indicou ainda que as conversações serão «sérias» e incluirão «muitos pormenores», mas considerou que seria contraproducente discuti-los publicamente.
Retoma esperada em novembro
Segundo órgãos de comunicação social anglo-saxónicos, os Estados Unidos voltaram a propor a criação de uma zona económica livre desmilitarizada no Donbass, no leste ucraniano, para tentar ultrapassar o principal obstáculo ao fim dos combates. A retoma das negociações entre Rússia e Ucrânia, com mediação norte-americana, é esperada em novembro. O conselheiro do Kremlin Yuri Ushakov afirmou que o primeiro encontro poderá realizar-se depois de 4 de novembro.
Posições de fundo
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022. Até agora, Moscovo rejeitou qualquer cessar-fogo prolongado e exige que Kyiv lhe ceda as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, além da Crimeia, anexada ilegalmente em 2014, e que renuncie para sempre à adesão à NATO.
Os esforços diplomáticos mediados pelos Estados Unidos prosseguem, mas sem resultados, mais de quatro anos e meio após o início da invasão em grande escala. As trocas de prisioneiros e de corpos de militares continuam a ser uma das poucas áreas de cooperação entre Moscovo e Kyiv.
Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo.
