ONG querem travar candidata dos Emirados à liderança da ONU

Organizações de direitos humanos acusam os Emirados de armar paramilitares no Sudão e pedem às potências que bloqueiem Lana Nusseibeh na corrida à sucessão de Guterres.
ONG querem travar candidata dos Emirados à liderança da ONU

Várias organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos pediram às grandes potências que impeçam Lana Nusseibeh, candidata dos Emirados Árabes Unidos, de chegar a secretária-geral das Nações Unidas. Acusam o país de financiar os paramilitares no Sudão, acusação que Abu Dhabi rejeita.

Críticas à independência da candidata

Numa conferência de imprensa em linha, Ken Roth, da Human Rights Watch, considerou a candidatura "totalmente inapropriada porque nega a realidade". Kate Ferguson, codiretora da ONG britânica Protection Approaches, disse não ver provas suficientes de que a candidata seja independente do Estado de onde vem.

As organizações alertaram ainda para o risco de uma tentativa deliberada de captura da ONU por regimes autocráticos.

O pano de fundo sudanês

O Sudão vive uma guerra que já provocou mais de 200.000 mortos e uma das mais graves crises humanitárias do mundo. O exército sudanês e observadores internacionais acusam os Emirados de equipar as Forças de Apoio Rápido (FAR). Os Emirados negam veementemente qualquer interferência, apesar das evidências apresentadas em vários relatórios.

A resposta de Nusseibeh

Perante os Estados-membros, Nusseibeh afirmou que pôr fim ao conflito "será o verdadeiro teste de sucesso do próximo secretário-geral". Descreveu as perdas humanas como trágicas e as atrocidades das FAR como terríveis, e garantiu que apoiaria os mecanismos da ONU de apuramento de factos para promover a responsabilização.

A candidata prometeu ser "a secretária-geral de todos", com lealdade à ONU e à sua carta, e sublinhou ter pedido licença das funções de ministra para concorrer. No seu diálogo interativo, defendeu uma organização "disciplinada", que faça menos onde outros possam contribuir mais, e garantiu que defenderia os direitos humanos "sem critérios duplos".

Uma corrida bloqueada

A candidatura, apresentada pelos Emirados a 21 de outubro, surge num momento de impasse no Conselho de Segurança quanto à sucessão do português António Guterres, que deixa o cargo a 31 de dezembro. Na última votação não vinculativa, todos os candidatos receberam pelo menos dois votos contra de membros permanentes com direito de veto, o que pode comprometer as candidaturas.

Para vencer, um candidato precisa de nove votos em quinze no Conselho de Segurança, sem veto de Estados Unidos, Reino Unido, China, França ou Rússia. Alcançado o consenso, o nome segue para a Assembleia Geral, que na prática acompanha a recomendação.

Nusseibeh foi representante permanente dos Emirados na ONU entre 2013 e 2024, vice-presidente da Assembleia Geral e presidente do Conselho Executivo da ONU Mulheres. Presidiu também ao Conselho de Segurança em duas ocasiões, durante o mandato emiratiano de 2022-2023.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo.

Compartilhar Artigo

Artigos Relacionados