É uma das duas zonas de saúde na província de Ituri que estão no epicentro do mais recente surto do vírus mortal, com pelo menos 80 mortes confirmadas e 246 casos suspeitos.
O mototaxista John Kisembo disse que, desde o início do mês, muitas pessoas morreram e os moradores estão com muito medo.
“O que está acontecendo é que, se alguém tem dor de cabeça, febre ou dor de estômago, acaba morrendo depois de um tempo. Aqui perto morava um rapaz com menos de 30 anos que chegou à aldeia ontem e hoje soubemos que ele morreu”, disse Kisembo.
Salama Bamunoba, residente de Rwampara, afirmou que a doença é muito perigosa e coloca os jovens em risco.
“Quando alguém morre, são os jovens que cavam as sepulturas e carregam o corpo com as mãos nuas, sem luvas ou máscaras, e isso leva à propagação desta doença”, disse ele.
Bamunoba disse que isso era muito perigoso porque, se um membro da família adoece, “eles levam a família inteira junto”.
Ituri faz fronteira com o Sudão do Sul e Uganda, e o principal órgão de saúde do continente, o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), alerta para um alto risco de disseminação regional.
Em meio à crescente preocupação, o Ministério da Saúde de Uganda informou que um congolês morreu em Kampala vítima da cepa do vírus Bundibugyo.
Kampala afirmou que o caso foi importado da República Democrática do Congo e que nenhum caso de transmissão local foi confirmado.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) afirmou que há um “intenso movimento populacional” na região devido às atividades de mineração nas áreas afetadas.
O documento solicita uma reunião urgente entre os três países e parceiros globais para reforçar os esforços de vigilância transfronteiriça, preparação e resposta.
Este último surto ocorre em um contexto de crescente crise de segurança em Ituri, onde confrontos entre grupos de milícias rivais mataram dezenas de civis nas últimas semanas.
A Organização Mundial da Saúde afirmou que a região “é altamente instável devido à situação humanitária” e aos movimentos populacionais transfronteiriços.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) afirmou que as descobertas iniciais sugerem a presença de uma cepa do Ebola não originária do Zaire, o que complica a resposta, já que os tratamentos e vacinas existentes foram desenvolvidos para essa versão do vírus originária do Zaire.
O atual surto de Ebola é o 17º na RDC desde que o vírus foi detectado pela primeira vez no país.
A febre hemorrágica, altamente contagiosa, matou cerca de 15.000 pessoas na África nos últimos 50 anos, apesar dos avanços em vacinas e tratamentos.
Identificado pela primeira vez em 1976 e com origem presumida em morcegos, o Ebola é uma doença viral mortal transmitida por contato direto com fluidos corporais. Pode causar hemorragias graves e falência de órgãos.
Guiné, Uganda e Serra Leoa também registraram surtos de Ebola nos últimos anos.
