O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flavio Bolsonaro encerraram suas campanhas no sábado antes do segundo turno presidencial de domingo, mobilizando apoiadores e fazendo um último esforço para os eleitores indecisos.
Os dois candidatos continuam empatados nas pesquisas após um desempenho mais forte do que o esperado do senador de direita no primeiro turno. No sábado, uma pesquisa CNT/MDA mostrou o senador com uma vantagem de 1,3 ponto.
Lula, que busca um quarto mandato não consecutivo, iniciou seu último dia de campanha com uma marcha pela icônica praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde milhares de apoiadores se juntaram ao governante de esquerda sob um sol escaldante.
“Vamos vencer a eleição por um motivo simples: é verdade que o povo quer mudança, (mas) quer seguir em frente. Eles não querem regredir”, disse Lula aos jornalistas antes do comício.
Mais tarde, o presidente liderou outra marcha em São Paulo, passando pela Avenida Paulista, um local tradicional de manifestações políticas na maior cidade do Brasil.
“É tão empolgante ver todo mundo aqui. Esse é o tipo de energia que queremos para o Brasil. O Brasil é nosso”, disse Gisele Passos, empresária de 61 anos, no comício de São Paulo.
Para muitos apoiadores de Lula, os comícios tinham um tom agridoce. O presidente de 80 anos e ex-líder sindical é amplamente esperado para fazer sua última candidatura ao cargo, dando aos eventos de encerramento da campanha a sensação de uma turnê de despedida.
“Ele é único. Ele teve uma jornada incrível, notável e difícil de conquistar. Estamos muito orgulhosos disso”, disse Olga Leal, uma aposentada de 62 anos em São Paulo.
RALIS BOLSONARO NO ESTADO CHAVE
Bolsonaro, por sua vez, juntou-se a uma caravana de motociclistas em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, um estado-chave de batalha. Nenhum candidato venceu a presidência sem vencer Minas Gerais desde o retorno do país à democracia nos anos 1980.
O senador liderava Lula por cerca de 5 pontos percentuais no estado na primeira rodada.
“A hora está quase chegando. Faltam apenas algumas horas para moldarmos o futuro da nossa nação pelos próximos 30 ou 40 anos”, disse o parlamentar, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em um vídeo nas redes sociais.
Posteriormente, participou de uma marcha de campanha em seu estado natal, o Rio de Janeiro, que representa no Senado desde 2019.
O Bolsonaro mais jovem foi inicialmente apoiado pelo pai para concorrer à presidência em dezembro passado. O ex-presidente foi condenado a mais de 27 anos de prisão por planejar um golpe após perder a eleição presidencial de 2022 para Lula.
Na sexta-feira, Lula e Bolsonaro se encontraram para um debate final na TV Globo, o principal canal de televisão aberta do país, onde eles disputaram sobre o custo de vida e trocaram ataques pessoais.
Senador venceu o primeiro turno por 2,2 milhões de votos, mas presidente reduziu a distância nas pesquisas; mobilização, rejeição e disputa pelo centro marcaram a reta final
Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), após três semanas de campanha em que o presidente conseguiu reagir à derrota nas urnas e reduzir a distância para o adversário.
A mobilização petista ganhou força nas ruas e nas redes sociais, mas terminou sem inverter as posições nos principais levantamentos. Flávio preservou a vantagem numérica e encerrou a campanha com uma postura mais moderada no último debate.
As pesquisas divulgadas neste sábado (24) mostram o equilíbrio da disputa. Datafolha e Quaest registraram o mesmo placar em votos válidos: 51% para Flávio e 49% para Lula. Os dois levantamentos apontam empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
A AtlasIntel/Bloomberg também mostrou o senador numericamente à frente, com 50,8% dos votos válidos, contra 49,2% do presidente. A diferença de 1,6 ponto percentual está dentro da margem de erro de um ponto percentual para cada candidato.
Os números encerram uma campanha em que Lula recuperou parte do terreno perdido, mas Flávio manteve a dianteira observada no primeiro turno. Em 4 de outubro, o senador recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista, uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Apesar da liderança numérica do senador nos principais levantamentos, a disputa permanece indefinida. As diferenças registradas pelas pesquisas são pequenas, e o comparecimento dos eleitores poderá ter peso relevante no resultado deste domingo.
