Zâmbia Prende 11 por Alegado Plano de Insurreição Após Incursão na Eleição

As forças de segurança da Zâmbia apreenderam armas e detiveram 11 pessoas, incluindo figuras importantes da oposição e o genro do ex-Presidente Edgar Lungu, alegadamente envolvidas num plano de insurreição, informou o Governo.

Segundo a BBC, as forças de segurança na Zâmbia apreenderam armas e prenderam 11 pessoas, incluindo figuras de alto escalonamento da oposição, após um alegado plano de insurreição, na sequência da eleição presidencial de quinta-feira passada. O governo disse que o candidato da oposição, Brian Mundubile, foi encontrado no local da operação de Lusaka, enquanto o principal funcionário público Patrick Kangwa afirmou que os detidos estavam ligados a planos militares envolvendo nacionais estrangeiros e campos de treino ilegal. Kangwa disse que os suspeitos tinham armas militares de alta qualidade, munições e outros materiais destinados a uma insurreição armada, e alegou que tiros foram disparados contra agentes da lei antes de ocorrer uma troca de tiros. Mundubile classificou a operação como uma tentativa contra a sua vida e disse que colegas foram baleados na sua presença. Ele havia declarado anteriormente vitória e alegadas irregularidades na votação, enquanto as autoridades negaram as acusações. A comissão eleitoral da Zâmbia suspendeu brevemente, na sexta-feira, a contagem e a divulgação dos resultados, citando violência contra funcionários de mesa e roubo de boletins marcados, antes de levantar a suspensão mais tarde no mesmo dia.

Polícia da Zâmbia deteve várias figuras importantes da oposição na noite das eleições nacionais realizadas na quinta-feira (13) da semana passada, acusando-as de representarem uma ameaça à segurança do Estado, informou o Governo.

A contagem dos votos das eleições presidenciais e legislativas de quinta-feira ainda decorria nesta segunda-feira, 17 de Agosto, com os resultados parciais a colocarem o Presidente Hakainde Hichilema na liderança.

As eleições são consideradas um teste à capacidade de Hichilema de transformar os ganhos económicos alcançados desde a crise da dívida durante a pandemia numa vitória que lhe permita conquistar um segundo mandato no país, um dos maiores produtores de cobre do continente.

O principal adversário de Hichilema, o líder da oposição Brian Mundubile, afirmou que agentes fortemente armados invadiram a sua residência após as eleições, numa acção que classificou como uma tentativa contra a sua vida.

Num comunicado divulgado na noite de domingo, o Governo declarou que Mundubile estava no local quando 11 pessoas foram detidas e que foram efectuados disparos a partir da residência contra agentes das forças de segurança, provocando uma troca de tiros.

Segundo o Executivo, os detidos foram encontrados “na posse de armas militares de elevado calibre, munições e outros materiais destinados a uma insurreição armada” e estavam sob vigilância das autoridades há vários meses.

O Governo identificou seis pessoas que permaneciam sob custódia, incluindo um porta-voz de Mundubile. Os restantes detidos eram “membros seniores de determinados partidos políticos na Zâmbia”, acrescentou.

Representantes da oposição exigiam o regresso em segurança de alguns membros do círculo próximo de Mundubile, que, segundo a oposição, tinham sido detidos ou estavam desaparecidos.

Partidos da oposição e organizações da sociedade civil acusaram o Governo de intensificar a repressão antes das eleições, incluindo através da imposição de restrições a reuniões e actividades de campanha. O Governo negou as acusações.

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