A proposta é simples e agressiva: US$ 30 por ação, tudo em dinheiro, incluindo toda a operação da Warner — estúdios, streaming, canais lineares e redes internacionais. A Paramount chega oferecendo mais dinheiro, mais rápido e com uma estrutura menos complexa do que o acordo que a Netflix estava a costurar.
A remonta que muda o jogo
A jogada da Paramount traz um prémio significativo sobre o valor actual das ações da Warner e posiciona a empresa como candidata a reconfigurar o mapa do entretenimento mundial.
O movimento tenta travar a fusão da Warner com a Netflix e dá um recado claro ao mercado: a Paramount voltou ao jogo e está disposta a ir até o fim.
Mas a estratégia tem nuances:
- A Netflix planeava comprar apenas estúdios e streaming;
- A Paramount quer tudo, e isso inclui as redes globais e canais tradicionais;
- A estrutura “all-cash” torna a proposta mais directa, menos sujeita a oscilações de mercado e disputas de avaliação.
Um ataque directo à Netflix
O discurso é evidente: a Paramount considera que o acordo da Netflix é fraco, caro e arriscado para os accionistas da Warner. Ao lançar uma oferta hostil, tenta inverter a narrativa e convencer o mercado de que a única proposta sólida é a sua.
O movimento reacende uma guerra silenciosa entre os gigantes do entretenimento, agora mais explícita. Se a Paramount vencer este duelo, poderá assumir uma posição dominante que muda não só Hollywood, mas todo o ecossistema global de conteúdo — cinema, streaming e televisão.
Os obstáculos para a remonta bilionária
Apesar da força do lance, a Paramount enfrenta desafios consideráveis:
- Reguladores podem travar uma fusão deste tamanho;
- O conselho da Warner já rejeitou aproximações anteriores;
- Há dúvidas sobre a capacidade da Paramount de sustentar um conglomerado tão grande, dado seu desempenho recente no cinema.
Ainda assim, o movimento mostra ambição, músculo e uma estratégia clara de reacender relevância.
O que vem por aí
Os accionistas da Warner têm até 8 de Janeiro de 2026 para responder à oferta. Até lá, muita coisa pode acontecer — desde contra-propostas agressivas até manobras internas que tentem travar a ofensiva.
Independente do resultado, a mensagem já foi dada:
a Paramount remontou, entrou com o pé na porta e quer reescrever o futuro do entretenimento global.