Bolsas europeias avançam com expectativa de corte de juros nos EUA, mas incertezas políticas em França travam ganhos

O movimento ocorre após a divulgação de um relatório de empregos abaixo do esperado nos Estados Unidos, sinal de arrefecimento da maior economia do mundo. Isso reforçou as apostas de que o Fed cortará os juros em pelo menos 25 pontos-base na reunião de 16 e 17 de setembro, podendo até optar por um ajuste mais agressivo de 50 pontos-base, dependendo dos dados de inflação a serem divulgados esta semana.

As bolsas europeias iniciaram a semana em alta, impulsionadas pela crescente expectativa de que o Federal Reserve (Fed) cortará as taxas de juro já em setembro. Às 07h02 (GMT), o DAX de Frankfurt subia 0,7%, o CAC 40 de Paris avançava 0,4% e o FTSE 100 de Londres registrava valorização de 0,3%.

O movimento ocorre após a divulgação de um relatório de empregos abaixo do esperado nos Estados Unidos, sinal de arrefecimento da maior economia do mundo. Isso reforçou as apostas de que o Fed cortará os juros em pelo menos 25 pontos-base na reunião de 16 e 17 de setembro, podendo até optar por um ajuste mais agressivo de 50 pontos-base, dependendo dos dados de inflação a serem divulgados esta semana.

França no centro da instabilidade

Apesar do otimismo inicial, a incerteza política em França limitou os ganhos. O primeiro-ministro François Bayrou, o quarto em apenas três anos, enfrenta praticamente certa derrota num voto de confiança. Isso aprofunda a instabilidade da segunda maior economia da zona euro, já pressionada por um défice público quase o dobro do limite de 3% imposto pela União Europeia.

A desconfiança dos mercados reflete-se nos títulos da dívida francesa: o rendimento dos bonds de 30 anos atingiu recentemente níveis não vistos desde 2009. Além disso, a agência Moody’s já havia rebaixado a classificação de crédito do país após a queda do governo anterior. Um novo corte representaria um golpe mais duro, aumentando o risco de vendas forçadas e dificultando a capacidade de Paris em financiar-se a custos sustentáveis.

Japão em turbulência política

No cenário asiático, a política também gera ondas de incerteza. O primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba anunciou a sua renúncia como líder do Partido Liberal Democrático (LDP), semanas depois de a coligação governista sofrer derrota expressiva nas eleições para a câmara alta. Embora Tóquio tenha recentemente selado um acordo comercial com os EUA, a saída repentina de Ishiba abre espaço para uma disputa de liderança na quarta maior economia do mundo.

Alemanha entre exportações fracas e produção em alta

Na Alemanha, os dados econômicos vieram mistos. As exportações caíram 0,6% em julho, contrariando as expectativas de crescimento, enquanto as importações recuaram 0,1%. Por outro lado, a produção industrial avançou 1,3%, sinalizando alguma resiliência na indústria local, mesmo diante da desaceleração global.

Petróleo dispara após decisão da OPEP+

No mercado energético, os preços do petróleo registraram forte alta após a OPEP+ anunciar que aumentará a produção em apenas 137 mil barris por dia em outubro, muito abaixo das altas mensais registradas anteriormente. Às 03h02 (ET), o Brent subia 1,7%, a US$ 66,64, enquanto o WTI avançava 1,8%, para US$ 63,00.

A decisão reflete a tentativa da Arábia Saudita e seus aliados de equilibrar a oferta e sustentar preços, mesmo num ambiente de incerteza econômica global.

Perspetivas globais

Os mercados financeiros enfrentam uma combinação de fatores: expectativa de afrouxamento monetário nos EUA, turbulência política em França e Japão, e sinais mistos nas maiores economias da Europa. Ao mesmo tempo, a política de produção da OPEP+ adiciona volatilidade ao setor energético.

Essa confluência de fatores deixa os investidores atentos e cautelosos, à espera de novos dados de inflação nos EUA e desenvolvimentos políticos em Paris e Tóquio, que poderão definir o rumo dos ativos nas próximas semanas.

Resumo
  • Bolsas europeias avançaram com otimismo sobre cortes de juros pelo Fed.
  • França vive instabilidade política e pressão sobre sua dívida pública.
  • No Japão, renúncia do primeiro-ministro aumenta a incerteza.
  • Alemanha apresenta exportações em queda, mas produção industrial em alta.
  • Petróleo dispara após decisão da OPEP+ de aumentar produção de forma contida.

Fonte: Investing.com

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