O transbordo do rio Cavaco tornou-se um dos episódios mais críticos da história recente de Benguela, expondo a vulnerabilidade das infraestruturas urbanas perante eventos climáticos extremos. Abaixo, apresentamos os pontos fundamentais que marcam este cenário de emergência.
1. O Desastre: Rompimento do Dique
Na madrugada do último fim de semana (11-12 de abril de 2026), a pressão das águas resultantes de chuvas torrenciais causou o rompimento de cerca de 200 a 300 metros do dique de proteção na margem esquerda do rio Cavaco, especificamente na zona das Bimbas.
O colapso permitiu que um volume incontrolável de água invadisse áreas residenciais e agrícolas, atingindo bairros como Calomanga, Massangarala, Cotel, Santa Teresa, Compão e Capiandalo.
2. Balanço Humano e Social
Até à manhã de 13 de abril, o balanço oficial e os dados de campo indicam uma situação severa:
- Vítimas Mortais: Confirmadas 5 mortes em consequência direta das inundações.
- Desalojados: Mais de 4.500 pessoas ficaram sem teto ou foram forçadas a abandonar as suas casas.
- Resgates: As Forças Armadas Angolanas (Marinha e Força Aérea) e a Proteção Civil realizaram operações complexas, incluindo resgates de helicóptero para cidadãos refugiados em telhados.
3. Paralisia da Infraestrutura e Serviços
A gravidade da situação forçou medidas drásticas por parte do Governo Provincial:
- Educação Suspensa: O Governo de Benguela suspendeu o reinício das aulas (previsto para hoje, dia 13) em todas as instituições públicas e privadas por tempo indeterminado.
- Corte Ferroviário: A empresa Lobito Atlantic Railway (LAR) suspendeu a circulação de comboios devido aos danos na via férrea.
- Mobilidade: A ligação rodoviária entre Benguela e Lobito sofreu fortes constrangimentos, com interrupções temporárias e circulação limitada a veículos pesados em certas áreas.
- Abastecimento de Água: O sistema de distribuição foi afetado, reduzindo a pressão e causando cortes nos municípios de Benguela, Navegantes e Baía Farta.
4. Resposta Governamental
O Governador Luís Manuel da Fonseca Nunes mobilizou uma resposta multi-setorial:
- Centros de Acolhimento: Foram criados espaços seguros para as mais de 2.500 famílias que já recebem assistência alimentar e médica.
- Apoio Militar: A integração de botes da Marinha e aeronaves da Força Aérea foi decisiva para evitar um número maior de fatalidades.
- Estado de Alerta: A província permanece em Alerta Máximo, com as autoridades a monitorizarem a estrutura restante dos diques e a preverem intervenções de engenharia logo que o nível das águas baixe.
