As eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como "midterms", realizam-se esta terça-feira (3), e a contagem deverá prolongar-se por vários dias antes de haver um resultado final. Alguns bancos e casas de análise, entre eles o JPMorgan e o UBS, avaliaram o possível impacto do escrutínio no mercado accionista e na economia norte-americana.
Os cenários do JPMorgan
Segundo o JPMorgan, o efeito sobre as acções depende mais da configuração final do Congresso do que do partido vencedor. Num relatório de estratégia temática, o banco definiu três cenários: um Congresso dividido ("gridlock"), uma "onda azul", com os democratas a controlarem as duas câmaras, e uma "muralha vermelha", em que os republicanos mantêm o domínio da Câmara dos Representantes e do Senado.
Se o Congresso ficar dividido, os sectores da saúde, da defesa e da tecnologia, em particular as empresas ligadas à inteligência artificial, poderiam sair beneficiados. Numa vitória democrata, ganhariam destaque a saúde e a energia limpa. Já um Congresso republicano manteria o S&P 500 como está, com força para a inteligência artificial, a energia, a banca e a defesa.
O alerta do UBS
Para o UBS, a influência democrata no Congresso surge como o cenário mais provável. O banco adverte que as consequências podem ir muito além da política orçamental e atingir também a futura composição da Reserva Federal (Fed).
E o Brasil?
A estratega-chefe da Nomad, Paula Zogbi, considera que uma vitória democrata nas duas câmaras poderia ajudar o real. Na sua explicação, um menor impulso aos gastos nos EUA aliviaria a pressão sobre as taxas de juro norte-americanas, tornando os mercados emergentes mais atractivos e favorecendo a entrada de capital estrangeiro no Brasil. Esse maior fluxo fortaleceria a moeda brasileira e poderia facilitar a descida dos juros futuros.
"Uma vitória republicana teria o efeito oposto. Ainda assim, a maioria dos analistas espera uma reacção modesta e de curta duração do dólar, não uma mudança de tendência", afirma.
Tarifas em questão
Outro ponto que pode ser afectado pela composição do Congresso é a manutenção, ou a redefinição, das tarifas comerciais contra o Brasil. Paula Zogbi recorda que, depois de o Supremo Tribunal ter decidido contra o chamado "tarifaço", a Casa Branca continuou a aplicá-lo com base em leis comerciais aprovadas pelo próprio Congresso.
A analista admite que o Congresso pode restringir o poder de impor tarifas, mas lembra que, mesmo com os democratas a conquistarem as duas câmaras, qualquer lei nesse sentido precisa da sanção de Donald Trump. Para derrubar um veto seriam necessários dois terços da Câmara e do Senado, maioria que os democratas não deverão alcançar nestas eleições. Por isso, qualquer lei que desmonte efectivamente o tarifaço exigiria o apoio de republicanos.
Segundo a estratega, os instrumentos mais realistas para travar novas tarifas passam por negociações políticas, como alterações ao Orçamento de 2027 e a sua utilização como moeda de troca quando a Casa Branca precisar da anuência do Congresso para aprovar outras medidas.
Com informação de InfoMoney.
