Petróleo cai quase 9% com vitória democrata, mas analistas avisam que o risco persiste

O Brent recuou 8,7%, para 94,62 dólares, após o triunfo dos democratas nas eleições intercalares dos EUA. A StoneX prevê, ainda assim, forte volatilidade até ao início de 2027.
Petróleo cai quase 9% com vitória democrata, mas analistas avisam que o risco persiste

A vitória do Partido Democrata nas eleições intercalares dos Estados Unidos provocou uma forte correcção nos preços do petróleo, perante a expectativa de que o novo equilíbrio de forças em Washington aumente a pressão por uma solução negociada para o conflito entre os EUA e o Irão. A consultoria StoneX avisa, porém, que o cenário está longe de significar uma pacificação da região.

Reacção imediata do mercado

Na quarta-feira, o Brent afundou 8,7% e fechou nos 94,62 dólares por barril. O WTI recuou 8,3%, para 88,12 dólares. Ambos atingiram os valores mais baixos desde o fim de Agosto. Segundo a StoneX, o mercado interpretou o resultado como sinal de que um Congresso controlado pelos democratas poderá limitar o financiamento das operações militares americanas e aumentar os incentivos para negociar com Teerão.

Os democratas conquistaram a Câmara dos Representantes e o Senado, uma derrota significativa para o Presidente Donald Trump. À saída das urnas, 62% dos eleitores disseram considerar a guerra um erro e 74% afirmaram que o tema pesou no seu voto. O aumento dos preços da energia contou também: a gasolina ultrapassou os 4 dólares por galão e o petróleo acumulava uma subida de cerca de 70% no ano.

Para a queda contribuíram ainda as declarações de Trump de que os EUA não têm planos imediatos de atacar o Irão e a recuperação parcial das exportações pelo Golfo Pérsico. De acordo com a Vortexa, os embarques de petróleo, condensados e derivados da região atingiram 17,1 milhões de barris por dia em Outubro, menos do que em Setembro, mas perto de três quartos do nível anterior à guerra.

Três cenários

Os democratas só tomam posse em Janeiro, mas a derrota eleitoral aumenta a pressão sobre Trump, que mantém ampla liberdade na política externa e em acções militares até ao fim do mandato. A StoneX considera decisivos os próximos dois meses e traça três caminhos possíveis.

O primeiro é um acordo rápido entre Washington e Teerão, hipótese que ganhou força no início da semana. Se levasse à reabertura plena do Estreito de Ormuz, poderia provocar nova queda expressiva dos preços no curto prazo. A consultoria alerta, contudo, que um entendimento superficial deixaria por resolver questões centrais e aumentaria o risco de novos confrontos.

O segundo é a intensificação das operações militares. Os EUA já realizaram um dos maiores deslocamentos de forças para a região em décadas, com vários grupos de porta-aviões no Golfo ou a caminho dele. Uma ofensiva mais ampla pressionaria o Irão, mas aumentaria os riscos para a infra-estrutura energética e poderia reacender o prémio geopolítico nos preços.

O terceiro é a manutenção do impasse, com Washington a apostar que o bloqueio económico e militar leve Teerão a ceder. Para a StoneX, o tempo tende a jogar contra os EUA, já que Trump dificilmente quererá terminar o mandato com um conflito por resolver e energia cara.

Ormuz continua no centro

As autoridades iranianas afirmam que as posições dos dois países continuam distantes. Analistas da região avisam ainda que uma negociação considerada demasiado favorável a Teerão poderia gerar novas tensões políticas em Washington e entre aliados americanos no Médio Oriente.

O Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo antes da guerra, é o pano de fundo de todos os cenários. Apesar da recuperação parcial dos embarques sob escolta militar americana, os preços permanecem cerca de 40% acima dos níveis anteriores ao conflito, reflexo do custo de transporte e dos riscos para a navegação.

A StoneX conclui que a correcção desta semana traduz a aposta do mercado numa saída negociada, mas não o fim dos riscos. A região deverá continuar a ser uma das principais fontes de volatilidade para o petróleo até ao início de 2027, altura em que Washington e Teerão poderão ter mais incentivo para retomar negociações estruturadas.

Com informação de InfoMoney.

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