Flávio Bolsonaro diz que levará para o túmulo o segredo da fuga para os EUA

O senador brasileiro, derrotado na segunda volta, garante ao The New York Times que agiu sozinho. Fontes norte-americanas, citadas pelo jornal, apontam o envolvimento da Casa Branca.
Flávio Bolsonaro diz que levará para o túmulo o segredo da fuga para os EUA

O senador brasileiro Flávio Bolsonaro recusou revelar como saiu do Brasil e chegou aos Estados Unidos, mas garantiu que não teve ajuda de nenhum Governo. A declaração foi feita ao The New York Times, na primeira entrevista desde que deixou o país, publicada na quarta-feira.

"Vou levar esse segredo para o túmulo", afirmou, acrescentando que não houve ajuda de "absolutamente ninguém, de nenhum Governo". Segundo disse, a decisão foi "espontânea" e tomada em conjunto com a mulher. Admitiu apenas que poderá ter sido "incentivado" por amigos no estrangeiro, "mas nada mais".

Versão contestada por fontes norte-americanas

O próprio jornal, num outro artigo, cita fontes norte-americanas segundo as quais um funcionário da Casa Branca tratou de conseguir o avião que levou o senador para Miami e a entrada nos Estados Unidos foi autorizada directamente pelo Presidente, Donald Trump.

O percurso, de cerca de 8 mil quilómetros, passou também pelo Equador e pela Argentina. Neste último país, um dos principais assessores do Presidente Javier Milei recebeu-o num aeroporto de Puerto Iguazú, de acordo com três pessoas envolvidas na operação, ouvidas pelo jornal. Há ainda muitos pontos por esclarecer sobre a viagem.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou que os Estados Unidos tenham facilitado a saída de Bolsonaro do Brasil. Segundo a InfoMoney, confirmou, no entanto, o aval de Trump à entrada do senador no país.

A decisão, na manhã a seguir às eleições

Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, explicou que tomou a decisão na manhã de 26 de Outubro, no dia seguinte à segunda volta das presidenciais, perdida para Lula da Silva. Saía então do condomínio onde o pai cumpre prisão domiciliária por tentativa de golpe de Estado.

Contou que o pai lhe perguntou se sabia "onde é que eles querem chegar com isto". Respondeu que estava "preparado" e sabia "o que tinha de fazer". Nenhum dos dois falou em fugir.

O senador, de 45 anos, é alvo de investigações por branqueamento de capitais e corrupção. Defendeu a sua inocência, mas admitiu que o desfecho, se tivesse ficado no Brasil, seria "a prisão". Segundo a InfoMoney, as autoridades brasileiras tinham-lhe ordenado que entregasse os passaportes.

Dúvidas sobre o resultado e planos futuros

Bolsonaro reiterou "suspeitas" sobre o apuramento dos votos, cujo resultado considera "matematicamente impossível". Agradeceu a Trump por não ter tomado partido e por lhe permitir permanecer nos Estados Unidos.

"Se houver novas eleições, voltarei obviamente a candidatar-me", disse.

Com informação de BBC News Brasil, Notícias ao Minuto — Mundo, InfoMoney, RTP — Mundo, DW Brasil.

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