A Crise do Rio Cavaco em Benguela (Abril de 2026)

O rompimento reacendeu o debate sobre a manutenção de infraestruturas preventivas. Em 2023, o Ministério das Obras Públicas já havia sinalizado a necessidade de intervenções definitivas no Cavaco, que agora se tornam a prioridade absoluta para a reconstrução de Benguela.

O transbordo do rio Cavaco tornou-se um dos episódios mais críticos da história recente de Benguela, expondo a vulnerabilidade das infraestruturas urbanas perante eventos climáticos extremos. Abaixo, apresentamos os pontos fundamentais que marcam este cenário de emergência.

1. O Desastre: Rompimento do Dique

Na madrugada do último fim de semana (11-12 de abril de 2026), a pressão das águas resultantes de chuvas torrenciais causou o rompimento de cerca de 200 a 300 metros do dique de proteção na margem esquerda do rio Cavaco, especificamente na zona das Bimbas.

O colapso permitiu que um volume incontrolável de água invadisse áreas residenciais e agrícolas, atingindo bairros como Calomanga, Massangarala, Cotel, Santa Teresa, Compão e Capiandalo.

2. Balanço Humano e Social

Até à manhã de 13 de abril, o balanço oficial e os dados de campo indicam uma situação severa:

  • Vítimas Mortais: Confirmadas 5 mortes em consequência direta das inundações.
  • Desalojados: Mais de 4.500 pessoas ficaram sem teto ou foram forçadas a abandonar as suas casas.
  • Resgates: As Forças Armadas Angolanas (Marinha e Força Aérea) e a Proteção Civil realizaram operações complexas, incluindo resgates de helicóptero para cidadãos refugiados em telhados.

3. Paralisia da Infraestrutura e Serviços

A gravidade da situação forçou medidas drásticas por parte do Governo Provincial:

  • Educação Suspensa: O Governo de Benguela suspendeu o reinício das aulas (previsto para hoje, dia 13) em todas as instituições públicas e privadas por tempo indeterminado.
  • Corte Ferroviário: A empresa Lobito Atlantic Railway (LAR) suspendeu a circulação de comboios devido aos danos na via férrea.
  • Mobilidade: A ligação rodoviária entre Benguela e Lobito sofreu fortes constrangimentos, com interrupções temporárias e circulação limitada a veículos pesados em certas áreas.
  • Abastecimento de Água: O sistema de distribuição foi afetado, reduzindo a pressão e causando cortes nos municípios de Benguela, Navegantes e Baía Farta.

4. Resposta Governamental

O Governador Luís Manuel da Fonseca Nunes mobilizou uma resposta multi-setorial:

  • Centros de Acolhimento: Foram criados espaços seguros para as mais de 2.500 famílias que já recebem assistência alimentar e médica.
  • Apoio Militar: A integração de botes da Marinha e aeronaves da Força Aérea foi decisiva para evitar um número maior de fatalidades.
  • Estado de Alerta: A província permanece em Alerta Máximo, com as autoridades a monitorizarem a estrutura restante dos diques e a preverem intervenções de engenharia logo que o nível das águas baixe.

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