Democratas conquistam Senado e Câmara e deixam Trump sem maioria no Congresso

Os democratas ganharam o controlo das duas câmaras do Congresso norte-americano nas eleições intercalares. Trump atribui parte da derrota à guerra no Irão e admite trabalhar com a oposição.
Democratas conquistam Senado e Câmara e deixam Trump sem maioria no Congresso

Os democratas conquistaram o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições intercalares, numa noite que vários meios descrevem como histórica. Vários redutos republicanos mudaram de mãos, o que deverá aumentar a resistência às decisões do Presidente Donald Trump nos próximos anos.

Uma maioria clara na Câmara

Os republicanos detinham a maioria na Câmara desde 2024, com 220 lugares (um dos quais de um independente), contra 215 dos democratas. Os dados ainda em actualização apontam agora para 248 lugares democratas e 187 republicanos, uma vantagem superior a 60 mandatos. Em 2024, a vitória republicana tinha sido por uma margem mínima.

O líder democrata Hakeem Jeffries prometeu pedir contas aos responsáveis pelo que classificou como "corrupção sem precedentes" no país.

Senado também muda de cor

No Senado, as projecções indicam que os democratas retiram o controlo aos republicanos, um cenário que há alguns meses parecia improvável. Iowa, Kansas, Maine, Ohio e Texas figuram entre os estados-chave com vitória democrata confirmada, tal como a Carolina do Norte e a Carolina do Sul. Segundo uma das fontes, o partido reverteu pelo menos seis cadeiras e venceu na Câmara em distritos que os republicanos ganharam com facilidade em 2024.

A reacção de Trump

Trump considerou que a guerra no Irão foi "parcialmente" responsável pela derrota do seu partido e admitiu que os resultados seriam diferentes se o seu nome constasse dos boletins de voto. Felicitou os democratas, que, no seu entender, "fizeram um bom trabalho", mas disse não perceber o desfecho. Lembrou ainda que raramente o presidente em exercício vence umas intercalares.

O Presidente afirmou também que poderá trabalhar com um Congresso controlado pela oposição, "se os democratas quiserem trabalhar comigo".

Escolhas inéditas

A noite ficou marcada por vários feitos inéditos. No Michigan, Abdul El-Sayed tornou-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado. No Minnesota, Peggy Flanagan foi eleita a primeira senadora indígena da história do país.

A Califórnia e o Texas, os estados mais populosos, elegeram pela primeira vez governadores latinos: Xavier Becerra e Gina Hinojosa, ambos democratas. Na Geórgia e na Florida foram eleitos os primeiros governadores afro-americanos desses estados, uma democrata e um republicano.

Mercados reagem

Os mercados reagiram com sinais mistos. Os investidores temem uma fiscalização regulatória mais rigorosa, sobretudo sobre as empresas de tecnologia e de inteligência artificial. As bolsas asiáticas e o dólar recuaram, com as acções tecnológicas à cabeça das quedas, e os preços do petróleo também desceram, segundo a Euronews. Já os futuros de Nova York subiam, de acordo com o InfoMoney: Dow Jones, +0,47%, S&P 500, +0,19%, e Nasdaq, +0,13%.

Com este resultado, Trump deverá cumprir o resto do mandato, até 2028, como presidente "lame duck" (literalmente, "pato coxo"), com poucas margens para contrariar uma maioria hostil no Congresso.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo, Euronews Português, InfoMoney.

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