Democratas vencem as midterms e ameaçam travar a agenda de Trump no Congresso

Os democratas tiraram aos republicanos o controlo das duas câmaras do Congresso norte-americano, o que pode dificultar a aprovação de projectos do Executivo nos próximos dois anos.
Democratas vencem as midterms e ameaçam travar a agenda de Trump no Congresso

As eleições intercalares nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, resultaram numa vitória do Partido Democrata, que passou a controlar as duas câmaras do Congresso. O resultado, segundo a Agência Brasil, evidencia o desgaste do Presidente Donald Trump, do Partido Republicano, junto do eleitorado.

O que estava em jogo

As midterms realizam-se a meio do mandato presidencial e alteram a composição do Congresso. Estavam em disputa as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, cujo mandato é de dois anos, e 35 dos 100 lugares do Senado, onde os mandatos são de seis anos. Quinze estados não elegeram senadores desta vez, entre os quais Arizona, Califórnia, Nova Iorque e Pensilvânia.

Em 36 dos 50 estados foram também escolhidos novos governadores. Cada estado tem regras e boletins de voto próprios: no Kansas, por exemplo, os eleitores votaram em cargos como secretário de Estado, procurador-geral e tesoureiro, enquanto no Missouri o boletim incluía o cargo de auditor estadual e oito consultas públicas.

Sinal de desgaste para Trump

As eleições funcionam como termómetro da opinião pública sobre o Governo federal. As sondagens já apontavam para esse desgaste: nos últimos meses, a aprovação do Governo Trump não ultrapassava os 30%, ao passo que a desaprovação rondava os 60%.

Com a oposição a controlar o Congresso até ao fim do mandato, Trump poderá ter dificuldades em fazer aprovar propostas do Executivo. A Agência Brasil refere que isso pode condicionar temas mais polémicos, como as tarifas aplicadas a outros países e a guerra contra o Irão. O Presidente depende do Congresso para aprovar o orçamento, alterar leis e confirmar nomeações para o Supremo Tribunal, para o Gabinete e para a direcção de agências federais como o FBI e a CIA. O Congresso tem ainda a palavra final sobre a declaração de guerra e o financiamento militar a outros países.

Impacto nas empresas

O resultado tem também leitura económica. De acordo com o InfoMoney, as empresas podem enfrentar maior escrutínio em matérias como o investimento em inteligência artificial e o desenvolvimento de centros de dados.

Josh Putnam, da consultora EY-Parthenon, defende que os directores financeiros devem preparar-se para custos de endividamento "sustentadamente mais altos" em 2027, independentemente do partido que controle o Congresso. Aponta como factores de pressão os défices crescentes, a forte procura de capital, a volatilidade da inflação e a incerteza política. Recomenda testar a resiliência das metas de investimento, avaliar os prazos de vencimento das dívidas e proteger a flexibilidade do balanço.

O economista-chefe da EY-Parthenon, Gregory Daco, considera que um governo dividido não faria subir automaticamente os prémios de prazo. Porém, desentendimentos orçamentais repetidos, riscos de paralisação do Governo e tensões em torno do tecto da dívida reforçariam a pressão em alta.

O InfoMoney refere ainda que vários líderes mundiais reagiram à vitória democrata, entre eles o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, que afirmou que os norte-americanos votaram "contra políticas que só servem para empobrecer as pessoas".

Com informação de Agência Brasil — Internacional, InfoMoney.

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