Os democratas alcançaram uma vitória expressiva nas eleições de meio de mandato realizadas nos Estados Unidos na terça-feira, 3 de Novembro, e retiraram ao Partido Republicano de Donald Trump o controlo do Congresso. Segundo o G1, o Presidente reconheceu a derrota, mas afirmou que vai recorrer ao poder de veto.
Política externa em segundo plano?
Historicamente, os presidentes norte-americanos que perdem força no Congresso, os chamados "patos mancos", voltam a atenção para a política externa, onde têm maior autonomia. Bill Clinton tentou negociar a paz entre israelitas e palestinianos e Barack Obama, depois das intercalares de 2014, fechou um acordo nuclear com o Irão e restabeleceu relações diplomáticas com Cuba.
Os especialistas ouvidos pelo G1 consideram, porém, que Trump deverá seguir outro caminho, até porque a guerra contra o Irão contribuiu para o desgaste da sua popularidade. Roberto Uebel, professor da ESPM, entende que o Presidente precisa de apresentar resultados económicos, sobretudo quanto ao custo de vida. Vinicius Rodrigues Vieira, da Faap, sublinha que as dificuldades no Irão e a competição com a China tornam novas frentes de batalha mais arriscadas.
No Médio Oriente, a nova maioria democrata pode complicar o financiamento da guerra e aumentar a pressão por um acordo que lhe ponha fim.
Efeitos na América Latina
Os analistas admitem consequências para a região, desde um possível afastamento dos EUA face à Venezuela até uma maior pressão sobre Cuba. Para o Brasil, a tendência é de continuidade, embora o novo Congresso possa reforçar a fiscalização das medidas da Administração. Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense, não vê impacto directo nas tarifas aplicadas ao Brasil, mas prevê que o tema seja usado para questionar membros do Governo, como Marco Rubio e Pete Hegseth.
Referendos estaduais
Paralelamente, cerca de 150 consultas populares em mais de 30 estados deram resultados distintos. Eleitores do Arizona e do Nebraska aprovaram restrições à participação de raparigas e mulheres trans em equipas desportivas femininas; no Nebraska, a proibição passou para a Constituição estadual. Em Washington, os primeiros resultados indicavam apoio semelhante e, no Colorado, a contagem apontava maioria favorável. Em sentido contrário, foram rejeitadas propostas que alargariam ou restabeleceriam proibições ao aborto.
Apuração ainda por concluir
A contagem terminou na maioria dos estados, mas o Kansas, o Mississípi e o Alasca só devem concluí-la na próxima semana, e a vantagem democrata ainda pode aumentar. No Alasca, estão previstas actualizações a 10 e 13 de Novembro, a última contagem preliminar a 18 e a certificação a 25. No Kansas, a certificação estadual deve ocorrer até 1 de Dezembro; no Mississípi, a declaração dos resultados está prevista para 3 de Dezembro.
Com informação de G1 — Mundo.
