O activista de Hong Kong Joshua Wong, de 30 anos, foi condenado a 10 anos de prisão, esta quinta-feira, pela segunda vez ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim. Os críticos apontam o caso como exemplo da repressão ao movimento pró-democracia da cidade, outrora muito activo.
Wong foi acusado em 2025 de conspiração para actuar em conluio com forças estrangeiras e pôr em risco a segurança nacional. Em Setembro declarou-se culpado, o que normalmente pode reduzir a pena. O juiz William Tam disse ter considerado inicialmente 13 anos de prisão, mas diminuiu a sentença devido à confissão. Rejeitou ainda o argumento de que o papel do arguido tinha sido limitado e afirmou que o crime era de natureza grave.
Penas cumpridas em simultâneo
O activista já cumpre uma pena de quatro anos e oito meses, no maior processo de segurança nacional da cidade, relacionado com umas eleições primárias não oficiais. Também nesse caso se tinha declarado culpado. Antes desta nova acusação, esperava-se que fosse libertado em Janeiro de 2027. O juiz admitiu que as duas penas possam ser cumpridas em simultâneo, e restam apenas cerca de dois meses da anterior.
O que alega a acusação
Segundo a acusação, Wong e o também activista Nathan Law terão acordado, por volta de 2016, fazer lobby internacional pela autodeterminação democrática. Antes da entrada em vigor da lei, ambos teriam pedido sanções e outras medidas contra Hong Kong e a China. Foram citados encontros de Wong com políticos norte-americanos, como Nancy Pelosi e Marco Rubio, em 2016 e 2019.
Depois de a lei entrar em vigor, Law e outros activistas teriam prosseguido o trabalho no estrangeiro, enquanto Wong o apoiaria a partir de Hong Kong, recorrendo a órgãos de comunicação estrangeiros e às redes sociais para reforçar pedidos de sanções ou outras medidas hostis.
O advogado, Derek Chan, pediu ao tribunal uma pena que deixasse alguma esperança ao cliente, que pretende cuidar dos pais após a libertação. À saída, Wong parecia calmo e agradeceu aos apoiantes.
Reacções
A Human Rights Watch classificou a condenação de "cruel e injusta". Eric Lai, investigador do Centro de Direito Asiático da Universidade de Georgetown, defendeu que as acusações ao abrigo desta lei "podem ser usadas repetidamente como arma" para manter um preso político encarcerado, se o governo o entender necessário.
Pequim vê em Wong uma figura antichinesa que defende a independência de Hong Kong, algo que ultrapassa uma linha vermelha. As autoridades da cidade sustentam que a lei é fundamental para a estabilidade após os protestos de 2019 e que a actuação das forças de segurança se baseou em provas.
Desde 2019, segundo a fonte, as autoridades reduziram as opções dos eleitores, prenderam muitos activistas de destaque, fecharam órgãos de comunicação críticos e dissolveram dezenas de organizações da sociedade civil.
Com informação de G1 — Mundo, RTP — Mundo, Observador.
