Michigan elege Abdul El-Sayed, o primeiro senador muçulmano dos EUA

O democrata de 42 anos venceu o republicano Mike Rogers nas eleições intercalares e declarou vitória de madrugada, antes do fim da contagem, com cerca de 52% dos votos.
Michigan elege Abdul El-Sayed, o primeiro senador muçulmano dos EUA

Os Estados Unidos elegeram o primeiro senador muçulmano da sua história. O democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, venceu a corrida ao Senado pelo Michigan nas eleições intercalares, ao derrotar o republicano Mike Rogers, antigo deputado federal. Segundo o G1, o resultado foi de 51,8% contra 46,2%.

O candidato declarou vitória por volta da 01:30 locais (06:30 em Lisboa), quando estavam contados cerca de 80% dos votos e tinha à sua frente uma vantagem de aproximadamente seis pontos percentuais. "Conseguimos, Michigan", disse aos apoiantes. Segundo o G1, trata-se de uma viragem do Partido Democrata no estado em mais de 30 anos.

Um discurso contra o dinheiro e a intolerância

No discurso de vitória, El-Sayed afirmou que o campo republicano usou a sua religião para o atacar "numa das mais feias campanhas de sempre". "Podem ter usado o meu nome e a minha fé, mas não é por causa do meu nome que vocês não conseguem pagar a gasolina, as compras ou ir ao médico", declarou.

O democrata acusou ainda os adversários de atacarem "a ideia central da América" e disse que estes foram derrotados apesar de terem gasto 350 milhões de dólares. "Numa batalha entre o dinheiro e a maioria das pessoas, a maioria pode ganhar", afirmou. Defendeu também o direito de os trabalhadores se filiarem num sindicato e o acesso a cuidados de saúde sem sacrifício de outras necessidades básicas.

Quem é o novo senador

Nascido nos arredores de Detroit e filho de egípcios, El-Sayed pertence à ala mais progressista do partido e venceu as primárias contra a preferência do núcleo duro da sigla. É médico, com formação em biologia e ciência política, medicina em Columbia e doutoramento em saúde pública na Universidade de Oxford. Foi professor de epidemiologia em Columbia e dirigiu o Departamento de Saúde de Detroit, cidade onde vive com a mulher, a psiquiatra Sarah Jukaku, e as duas filhas. Em 2018 já tinha tentado a nomeação democrata para o governo do Michigan, mas perdeu nas primárias.

A saúde foi o eixo da campanha: defende um sistema de saúde universal financiado pelo Estado e a eliminação das dívidas médicas. Embora não tenha feito da religião tema de campanha, foi alvo de ataques à sua fé. Num comício, descreveu-se como "um candidato ao Senado que, por acaso, é muçulmano". Foi também criticado pelo presidente Donald Trump e contou com o apoio do antigo presidente Barack Obama na recta final.

Rogers procurou explorar divisões entre eleitores negros e judeus, causadas pelas duras críticas de El-Sayed ao apoio do governo norte-americano a Israel, e descreveu o rival como "mais focado em Gaza do que em Michigan".

Festa em Detroit e em Dearborn

Num pavilhão do Eastern Market, em Detroit, centenas de apoiantes festejaram cada derrota republicana projectada na televisão. Havia camisolas com os dizeres "judeus por Abdul", "cristãos por Abdul" e "muçulmanos por Abdul", entre outros. Foram também celebradas projecções de vitórias democratas noutros estados.

Em Dearborn, cidade com mais de metade de população muçulmana, o presidente da Câmara, Abdalla Hammoud, disse que políticos republicanos apontaram o município na campanha como "um exemplo do que os Estados Unidos não deve ser".

As projecções indicam que os democratas devem recuperar o controlo da Câmara dos Representantes e podem conquistar a maioria no Senado, actualmente com os republicanos nas duas câmaras.

Com informação de G1 — Mundo, Notícias ao Minuto — Mundo.

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