O Presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou a carta de renúncia na quinta-feira, 5, num dia de grande tensão política em Assunção. Em frente ao Congresso, manifestantes e polícia entraram em confronto, e pelo menos duas pessoas foram detidas, enquanto os parlamentares analisavam o pedido.
Impeachment avançou na Câmara dos Deputados
De manhã, o Congresso iniciou uma sessão extraordinária para debater o impeachment. Todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciaram que votariam a favor. Horas depois, Peña divulgou a renúncia, mas a Câmara não a aceitou e deu seguimento ao processo, numa votação que, segundo o G1, foi unânime. O processo contra o vice-presidente, Pedro Alliana, foi rejeitado, o que abriu caminho para que assuma a chefia de Estado.
O processo ganhou força depois de Horacio Cortes, presidente do Partido Colorado, a que pertence Peña, e considerado o seu mentor, ter retirado o apoio ao Governo. O presidente do Congresso, Basilio Núñez, também do Partido Colorado, fez o mesmo.
O que está em jogo
Segundo a Constituição paraguaia, cabe ao Congresso aceitar ou rejeitar a renúncia do Presidente. Se for aceite, Peña deixa o cargo sem ser condenado e torna-se senador vitalício, estatuto que garante imunidade parlamentar. Se o impeachment resultar em destituição, perde esse direito.
A oposição teme que a renúncia permita ao Presidente escapar a eventuais investigações criminais e defende que o Senado conclua o julgamento político antes de se pronunciar. Parlamentares governistas argumentam que a saída voluntária deve ser aprovada para pôr fim à crise. Para o comentarista Ariel Palacios, citado pelo G1, Peña tentou blindar-se e manter o foro privilegiado com o anúncio.
A sessão conjunta das duas Casas contou com 45 senadores e 65 deputados, segundo o jornal Última Hora. Os manifestantes protestavam contra a suspensão da sessão no Senado, e deputados do partido de Peña abandonaram o plenário durante a votação. Segundo o presidente da Câmara, Raúl Latorre, Alliana deveria tomar posse às 18h00, seguindo-se, às 19h00, a escolha do novo vice-presidente.
A crise do banco ueno
A crise tem origem no colapso do banco digital ueno, que fechou as portas e deixou milhares de clientes sem acesso ao dinheiro. Peña foi accionista do grupo que controla a instituição, e a oposição acusa o Banco Central de encobrir irregularidades.
Numa mensagem publicada na rede social X, o chefe de Estado pediu desculpa aos paraguaios e disse ter decidido renunciar "pensando na estabilidade do nosso país". Afirmou que vai colaborar com a Justiça, exercer o direito de defesa no processo e que o pagamento aos clientes do banco não deve ficar dependente do seu futuro político.
Economista conservador, Peña chegou ao poder em 2023, com mandato previsto até 2028. É aliado do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Com informação de G1 — Mundo.
