Sob o sol escaldante do deserto e o eco de tambores de guerra, a Frente Polisário celebrou o 50.º aniversário da República Árabe Saaraui Democrática (RASD). Mais do que uma festa, foi uma demonstração de força de um povo que, há meio século, vive entre acampamentos de refugiados e a linha de fogo.
Há 50 anos, nascia uma república sem território completo, mas com uma determinação de ferro. As celebrações do jubileu de ouro da RASD não foram marcadas por luxo, mas por desfiles militares e discursos inflamados que enviaram um recado claro a Rabat e ao mundo: a luta pelo Saara Ocidental está longe do fim.
Meio Século de Exílio e Trincheiras
Desde a sua fundação, a RASD tem sido um símbolo da descolonização inacabada em África. Enquanto Marrocos controla a maior parte do território e o seu lucrativo fosfato, a Frente Polisário governa a partir dos acampamentos na Argélia e das chamadas “Zonas Libertadas”.
O Retorno às Armas: Desde o fim do cessar-fogo em 2020, o clima de celebração é atravessado pela realidade dos combates ao longo do “Muro da Vergonha” — a berma de areia fortificada que divide o território.
Diplomacia de Sangue: Para a Polisário, estes 50 anos provam a resiliência institucional de um Estado que, apesar de exilado, mantém embaixadas, ministérios e um exército pronto para o embate.
O Nó Geopolítico
A celebração ocorre num momento de tensão máxima. Com o apoio crescente de algumas potências europeias e dos EUA às pretensões de autonomia marroquina, a RASD vê-se obrigada a endurecer a retórica. A aliança com a Argélia permanece o pilar de sobrevivência, transformando o Saara Ocidental no tabuleiro de xadrez mais perigoso do Magrebe.
“Não estamos a celebrar o tempo que passou, mas a nossa capacidade de não sermos apagados do mapa,” afirmou um veterano da guerrilha durante os desfiles. “Cinquenta anos é apenas o começo para um povo que não tem nada a perder exceto as suas correntes.”
O Futuro: Referendo ou Guerra?
O impasse da ONU continua a ser a grande sombra sobre o jubileu. Sem um referendo de autodeterminação à vista, a juventude saaraui, nascida nos acampamentos, pressiona cada vez mais para que a diplomacia ceda lugar a uma ofensiva militar definitiva
