Lula sob pressão do mercado para apresentar plano de ajuste fiscal

Na primeira semana após a reeleição, Lula reuniu a equipa económica por causa da dívida pública, viu aprovada a PEC da Segurança no Senado e acompanhou a derrota de Trump nas intercalares dos EUA.
Lula sob pressão do mercado para apresentar plano de ajuste fiscal

A primeira semana após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil, ficou marcada pela pressão dos investidores por um plano de ajuste fiscal, por uma vitória do Governo no Congresso e pelo início das manobras para a eleição das presidências das duas casas legislativas, em 2027. A síntese é do programa Mapa de Risco Express, do InfoMoney.

Reunião sobre a dívida pública

Preocupado com a trajectória da dívida, Lula convocou para quinta-feira (5) uma reunião com membros da equipa económica e antigos colaboradores. Entre os convidados estavam o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o seu antecessor, Fernando Haddad, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

O encontro decorreu num contexto de dúvidas sobre a composição da equipa económica para o quarto mandato e de exigência, por parte dos investidores, de medidas que travem o crescimento da despesa. A dívida bruta brasileira aproxima-se dos 83% do PIB, e o Executivo procura conciliar a consolidação das contas com as promessas sociais feitas na campanha.

Vitória no Senado

No Congresso, o Governo obteve a aprovação unânime, no Senado, da PEC da Segurança Pública. A proposta reforça a integração entre as forças policiais e os mecanismos de combate ao crime organizado.

A votação reforçou também o peso político de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que articulou o acordo e procura manter-se na presidência da Casa. A negociação deixou, contudo, uma pendência com a oposição: a proposta de redução da maioridade penal foi separada da PEC e o seu avanço continua em aberto.

Disputa pelo comando do Congresso

As eleições para as presidências da Câmara e do Senado estão marcadas para Fevereiro. Na Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) procura a reeleição com o apoio de Lula e de uma ampla aliança partidária. O PL, que terá a maior bancada, ainda pondera se apresenta candidato próprio ou se negoceia lugares na estrutura legislativa.

No Senado, a oposição aposta numa estratégia mais agressiva. Rogério Marinho (PL-RN) oficializou a candidatura, e Tereza Cristina (PP-MS) participa igualmente nas conversações para enfrentar Alcolumbre, que tem o apoio do Palácio do Planalto. O desfecho influenciará a capacidade de Lula aprovar a agenda económica num Congresso mais conservador.

Derrota de Trump pode beneficiar o Brasil

No plano internacional, os democratas conquistaram o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado nas eleições intercalares norte-americanas, realizadas na terça-feira (3). A partir de Janeiro, Donald Trump enfrentará maior resistência legislativa, com a oposição em posição de reforçar a fiscalização ao seu Governo e de bloquear parte das propostas.

Para o Brasil, a mudança pode abrir uma oportunidade nas negociações sobre as tarifas comerciais norte-americanas, já que o reforço dos democratas tende a alimentar os questionamentos à política proteccionista de Trump. O Presidente dos EUA mantém, ainda assim, instrumentos para sustentar as barreiras comerciais.

Com informação de InfoMoney.

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