Lula vence Flávio Bolsonaro na segunda volta e garante quarto mandato no Brasil

Com 98,27% das urnas apuradas, Lula somou 51,75% dos votos válidos e inverteu o resultado da primeira volta. Governará até dezembro de 2030, com Geraldo Alckmin como vice.
Lula vence Flávio Bolsonaro na segunda volta e garante quarto mandato no Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito Presidente do Brasil na segunda volta das eleições de 2026, disputada este domingo, 25 de outubro. Derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e conquistou o quarto mandato, que se prolonga até 31 de dezembro de 2030.

Com 98,27% das urnas apuradas, Lula obteve 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro. A diferença é de 4,3 milhões de votos, ou 3,5 pontos percentuais. Geraldo Alckmin (PSB) continua como vice-presidente.

Uma reviravolta face à primeira volta

O resultado inverte o que se tinha passado a 4 de outubro. Nessa data, Flávio Bolsonaro ficou à frente, com 56,1 milhões de votos (47,03%), contra 53,9 milhões (45,16%) de Lula, uma vantagem de cerca de 2,2 milhões. Segundo a InfoMoney, desde a redemocratização todos os candidatos que lideraram a primeira volta tinham confirmado o primeiro lugar na segunda, o que torna esta vitória uma excepção.

Depois do resultado inicial, Lula admitiu falhas na organização da campanha e reforçou a mobilização dos aliados, sobretudo nas regiões onde o PT tem o eleitorado mais tradicional. Intensificou também as críticas às propostas económicas do adversário, em particular à promessa de reduzir a despesa pública, e defendeu os programas sociais do Governo.

Promessas e desafios

Entre os compromissos para o novo mandato está o fim da escala de trabalho 6×1, com a redução da semana laboral de 44 para 40 horas, sem perda de salário. Lula propõe ainda manter o actual quadro orçamental, aumentar o investimento público, lançar uma nova fase do Programa de Aceleração do Crescimento e aprofundar a reforma tributária. Na segurança, quer reforçar a acção federal contra o crime organizado.

No plano social, promete manter o Bolsa Família e alargar o Pé-de-Meia, que chegará aos estudantes universitários a partir de 2027.

As contas públicas serão um dos primeiros testes. A dívida pública ronda os 83% do PIB e o crescimento das despesas obrigatórias limita o espaço para novos investimentos. Lula defendeu na campanha uma redução gradual do défice, com o objectivo de alcançar um excedente primário de 1,3% do PIB até 2030.

A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, considera pouco provável que a política de valorização do salário mínimo seja alterada, dada a importância do tema para Lula e para o PT. Admite como mais plausível uma discussão sobre as vinculações das despesas com saúde e educação. Trata-se de uma avaliação da economista, e não de uma intenção anunciada pelo Presidente.

Um Congresso mais à direita

Lula, que completa 81 anos a 27 de outubro, nasceu em Garanhuns, Pernambuco, e começou a carreira no movimento sindical do ABC paulista. Foi eleito pela primeira vez em 2002, tomando posse em 2003, e reeleito em 2006. Regressou ao poder em 2023, depois de vencer Jair Bolsonaro em 2022.

O novo mandato exige a reconstrução da base de apoio no Congresso eleito em outubro, onde os partidos de direita e centro-direita ganharam peso nas duas câmaras.

Com informação de InfoMoney.

Compartilhar Artigo

Artigos Relacionados