Pequim: Xi Jinping leva ao Comité Central plano de disciplina após purgas no Exército

O Partido Comunista Chinês iniciou uma reunião de quatro dias, à porta fechada, para analisar um projeto de reforço da disciplina interna, num contexto de purgas militares e a um ano do congresso de 2027.
Pequim: Xi Jinping leva ao Comité Central plano de disciplina após purgas no Exército

O Partido Comunista Chinês (PCC) iniciou hoje, em Pequim, a quinta sessão plenária do 20.º Comité Central, uma reunião à porta fechada que se prolonga até quinta-feira e que tem como eixo central o reforço da disciplina interna. O encontro acontece depois de sucessivas purgas nas Forças Armadas e a um ano do congresso que deverá reconduzir Xi Jinping na liderança do partido.

Segundo a agência oficial Xinhua, o Presidente chinês e secretário-geral do PCC apresentou um projeto de resolução sobre a chamada "governação integral e rigorosa" do partido, expressão que designa as medidas de disciplina, supervisão e combate à corrupção. Xi fez ainda um relatório de trabalho em nome do Politburo. O conteúdo detalhado do documento não foi divulgado.

Purgas deixam o comando militar reduzido

A reunião ocorre depois de uma vaga de afastamentos que atingiu os mais altos escalões do Exército de Libertação Popular, incluindo oficiais nomeados durante a presidência de Xi. A Comissão Militar Central, principal órgão de comando das Forças Armadas, tem agora apenas dois membros, Xi Jinping e o general Zhang Shengmin, quando em 2022 contava com sete.

Dos 44 representantes militares eleitos para o Comité Central nesse ano, apenas 17 permanecem formalmente em funções, e só dois foram vistos em público nos últimos meses. As expulsões dos generais Zhang Youxia e Liu Zhenli, anunciadas em setembro por acusações de corrupção e outras infrações, aguardam ratificação do Comité Central.

Uma análise da Brookings Institution aponta para um problema de confiança na escolha dos novos responsáveis militares. "Se não podia confiar nos seus próprios aliados no alto comando do ELP, como poderá confiar em quaisquer generais recém-promovidos", questionaram os investigadores Jonathan Czin e Allie Matthias.

Aviso aos dirigentes e olhos no congresso de 2027

Num discurso proferido em janeiro e publicado este mês na revista Qiushi, Xi criticou orientações que "não são aplicadas ou são aplicadas incorretamente" e advertiu contra dirigentes que proclamam lealdade, mas desobedecem na prática. "Não podemos limitar-nos a proclamar palavras de ordem, muito menos dizer uma coisa e fazer outra", afirmou.

Para Ruby Osman, do Tony Blair Institute for Global Change, citada pela Associated Press, a campanha é "menos de eliminar rivais da elite e mais de construir um sistema disciplinado" que sustente as prioridades de Xi ao longo dos ciclos de liderança.

Damien Ma, da Carnegie China, vê no plenário o início de uma "época de campanha" política, em que as futuras promoções poderão ser "um indicador mais revelador" da forma como a liderança gere a transição do que os próprios afastamentos. No congresso de 2027, Xi deverá assegurar um quarto mandato de cinco anos como secretário-geral.

Ao contrário das duas anteriores quintas sessões plenárias, dedicadas aos planos quinquenais de desenvolvimento económico, esta centra-se na governação interna de uma organização com mais de 100 milhões de militantes, que controla o Estado, as Forças Armadas e os principais centros de decisão da segunda maior economia mundial.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo, RTP — Mundo.

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