Congo Lança Guarda Paramilitar Mineira com Financiamento de Peso dos EUA e Emirados

O objetivo é proteger o cobalto e o ouro contra milícias e garantir a segurança das minas. Veja como a tecnologia vai ajudar a vigiar os recursos mais valiosos do mundo!"

Num movimento decisivo para retomar o controlo sobre os seus vastos recursos naturais, o governo da República Democrática do Congo anunciou a criação de uma guarda paramilitar especializada. A nova força terá como missão exclusiva a proteção dos locais de mineração industrial, contando com um robusto financiamento e treino providenciados pelos Estados Unidos e pelos Emirados Árabes Unidos.

KINSHASA – A riqueza mineral da RDC tem sido, historicamente, o seu maior trunfo e a sua maior maldição. A proliferação de grupos armados que se financiam através da mineração artesanal ilegal tem impedido o desenvolvimento económico e alimentado conflitos. Com a nova guarda, Kinshasa pretende formalizar e militarizar a segurança nos perímetros de extração de minerais críticos.

O Papel dos Parceiros Internacionais

A entrada dos EUA e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) neste projeto revela uma clara intenção de estabilizar a cadeia de suprimentos global:

Interesse Americano: Garantir que o cobalto e o lítio necessários para a transição energética (baterias de carros elétricos) não caiam sob influência de potências rivais ou grupos terroristas.

Capital dos Emirados: O financiamento de Abu Dhabi foca-se na transparência da cadeia de custódia do ouro e outros metais preciosos, combatendo o contrabando que muitas vezes flui ilegalmente para os mercados globais.

Hardware e Cibersegurança na Proteção Mineira

Esta não será uma força de infantaria comum. A infraestrutura de segurança prevista inclui:

Monitorização por Drones: Sistemas de vigilância aérea persistente para detetar incursões de milícias em tempo real.

Rastreio Blockchain: Implementação de hardware de registo digital nas minas para garantir que cada tonelada de mineral extraído seja “carimbada” digitalmente desde a origem, impedindo que minerais de zonas de conflito entrem no circuito legal.

Comunicações Encriptadas: Uso de redes de rádio e satélite seguras para coordenar a resposta rápida entre minas isoladas na selva e o comando central.

     O Congo anunciou na segunda-feira a criação de uma guarda paramilitar para proteger suas vastas operações de mineração, apoiadas por investimentos dos EUA e dos Emirados Árabes Unidos, enquanto Washington tenta garantir o acesso a minerais essenciais em meio a um frágil processo de paz no leste conturbado do país.

    A Inspeção Geral de Minas do país da África Central afirmou em comunicado que a nova unidade será implantada gradualmente, com um efetivo inicial de 2.500 a 3.000 pessoas previsto para estar operacional até dezembro, após seis meses de treinamento em colaboração militar.

    Prevê-se que a força paramilitar tenha mais de 20.000 membros em todas as 22 províncias mineiras do Congo até o final de 2028, com o objetivo de aumentar a confiança dos investidores e fortalecer a supervisão estatal da produção mineral.

    O programa de 100 milhões de dólares é financiado por meio de parcerias com os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos, segundo o comunicado.

    O Congo é um dos principais fornecedores de coltan , um minério metálico que contém o raro metal tântalo, um componente essencial na produção de smartphones, computadores e motores de aeronaves.

    O vasto país enfrenta há muito tempo problemas com o tráfico ilícito de minerais e a insegurança crônica, particularmente em suas províncias orientais, onde os confrontos entre as forças governamentais e os rebeldes apoiados por Ruanda mataram milhares de pessoas e deslocaram centenas de milhares.

    O presidente do Congo pretende “limpar todo o setor de mineração, eliminando práticas que contrariam a boa governança, a transparência e a rastreabilidade dos minerais”, afirmou o inspetor-geral de minas, Rafael Kabengele, em comunicado.

    A guarda paramilitar assumirá as funções de segurança atualmente desempenhadas pelas forças militares convencionais. Seu mandato inclui a segurança de áreas de mineração, o acompanhamento de carregamentos de minerais até instalações de processamento e passagens de fronteira, além da proteção de investimentos estrangeiros.

    Washington está tentando reduzir o domínio da China sobre as cadeias de suprimento de minerais críticos. O Congo e os EUA assinaram uma parceria mineral no ano passado, por meio da qual a empresa americana Virtus Minerals assumiu o controle da mineradora de cobre e cobalto Chemaf. Outras empresas ocidentais manifestaram interesse, incluindo algumas com ativos localizados em território controlado por rebeldes.

    Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o Congo produziu cerca de 40% do coltan mundial em 2023. Mais de 15% do fornecimento mundial de tântalo provém das minas de Rubaya, controladas por rebeldes, no leste do país.

    O leste do Congo tem vivido em períodos de crise intermitente há décadas, com dezenas de grupos armados em atividade.

    No ano passado, os governos congolês e ruandês assinaram um acordo de paz intermediado pelos EUA, que também abriu o acesso a minerais críticos para o governo dos EUA e empresas americanas.

    As negociações entre os rebeldes do M23 e o Congo continuam . No entanto, os combates persistem em várias frentes no leste.

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