O presidente francês, Emmanuel Macron, encerrou nesta quarta-feira sua visita à África com conversas na Etiópia que abordaram, entre outros assuntos, a antiga questão da representação da África no Conselho de Segurança da ONU.
Macron manteve conversações com o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, e posteriormente reuniu-se com o presidente da Comissão da União Africana, Mahamoud Ali Youssouf, e com o secretário-geral da ONU, António Guterres, tendo discutido em conjunto a governança internacional inclusiva.
Os líderes “reconheceram a necessidade de representação africana”, segundo um comunicado divulgado após a reunião.
Macron, que visitou o Egito, o Quênia e a Etiópia durante sua viagem à África, pediu uma melhor representação da África em instituições internacionais como o Conselho de Segurança da ONU.
Em seu discurso de abertura na Cúpula África em Frente , coorganizada pela França e pelo Quênia e realizada pela primeira vez em um país de língua inglesa, Macron reconheceu a necessidade de assentos permanentes para a África no Conselho.
A busca da África por assentos permanentes sempre se baseou na necessidade de refletir as realidades globais contemporâneas, com órgãos continentais criticando a exclusão de um continente com mais de 1,4 bilhão de pessoas do poder de decisão permanente.
Guterres afirmou na quarta-feira que o mundo se beneficiaria de um Conselho de Segurança da ONU inclusivo.
“Um Conselho de Segurança que hoje não representa geograficamente as realidades do mundo. Temos três membros permanentes europeus, um norte-americano e um asiático. Nenhum latino-americano, nenhum africano. Obviamente, este é um Conselho de Segurança com um problema de legitimidade, o que acarreta um problema de eficácia”, afirmou.
Após o encontro entre Macron e Abiy, foi anunciado um novo acordo de financiamento por meio de empréstimo, no valor de US$ 63,9 milhões, para o programa de investimento em energia verde e digitalização da Etiópia.
Durante a Cúpula África em Frente, Macron afirmou que o governo francês e o setor privado mobilizariam investimentos no valor de 27 bilhões de dólares para impulsionar o crescimento inclusivo em todo o continente.