Um total de 180 startups vai beneficiar de financiamento do programa “Orange Corner Innovation Fund (OCIF)”, até 2030, cujo valor previsto é de 3,7 milhões de euros, avançou, recentemente, o gestor da iniciativa.
Hélder Catumbela disse ao Jornal de Angola que o “Orange Corners Innovation Fund” é uma iniciativa da Embaixada do Reino dos Países Baixos e vai ser implementado pelo consórcio Development Workshop Angola com a gestão do Kixi-Crédito.
De acordo com o gestor do programa, do valor de 3,7 milhões de euros, 2,2 milhões do capital vai ser disponibilizado pelo consórcio da Em- baixada, enquanto que 1,5 milhão de euros advém de uma alavancagem local. Mobilizados os canais de financiamento, os promotores assegu- ram ter tudo para contribuir no fomento do empreendedorismo angolano.
“Queremos que o OCIF seja modelo de referência em Angola”, disse o gestor.
O fundo surge para desbloquear uma das barreiras do ecossistema nacional, que é o acesso a capital especializado, segundo o gestor.
Dados globais mostram que dos 366 mil milhões de dólares investidos por fundos no mundo, apenas 1 por cento chega às startups africanas e 70 por cento desse volume fica concentrado em quatro países, dos quais Angola não faz parte.
“Durante muito tempo falou-se de startups em Angola sem resolver o principal problema, que é o acesso a capital inteligente. Actualmente, o OCIF é das únicas soluções estruturadas no país, pensada para startups.
“Angola nunca teve falta de talento. Faltavam soluções financeiras adaptadas ao sector”, afirma Hélder Catumbela.
A iniciativa da Embaixada do Reino dos Países Baixos, através do OCIF, é um modelo híbrido adaptado à realidade local, diferente de linhas de crédito tradicionais. Tem apoio ao cash burn e financiamento ajustado ao ciclo de vida das startups.
“O objectivo é permitir que empreendedores desenvolvam MVP, testem protótipos, validem mercado e escalem operações sem morrer na fase inicial”, considerou.
Para o gestgor, o OCIF vai além do financiamento, pois o projecto foi desenhado com base nas dificuldades reais do mercado angolano e funciona como protótipo de inovação financeira.
A expectativa dos promotores é que o modelo sirva de referência para a criação de novos fundos, redes de Business Angels e até políticas públicas voltadas à inovação.
Impacto do ANGOTIC
O OCIF foca-se em financiar e capacitar startups em fase inicial, com foco em inovação, tecnologia e impacto social. Segundo o seu gestor, o OCIF prepara presença no ANGOTIC, principal feira de tecnologia do país.
“O OCIF terá tenda de exposição conjunta com startups já apoiadas, apresentando soluções concretas desenvolvidas pelos beneficiários”, disse.
A equipa agenda, também, encontros estratégicos com investidores para fomentar co-investimento e parcerias. Com o ecossistema angolano a evoluir graças à transformação digital e ao surgimento de novos hubs, o OCIF aposta em capital adaptado à capacitação, pois este pode reduzir a taxa de mortalidade de negócios inovadores e posicionar Angola no mapa de startups da região.
