Bolsa brasileira afunda pelo terceiro dia e Ibovespa toca mínimo desde agosto

O Ibovespa recuou 2,68% para 171.006 pontos, com o mercado atento ao risco fiscal após a vitória de Lula. O dólar fechou em leve baixa, a R$ 5,34.
Bolsa brasileira afunda pelo terceiro dia e Ibovespa toca mínimo desde agosto

A bolsa de valores brasileira voltou a fechar em forte queda na quarta-feira (28). O Ibovespa, principal índice do mercado, perdeu 2,68% e terminou nos 171.006,10 pontos, o terceiro pregão seguido no vermelho. Foi o nível de fecho mais baixo desde 20 de agosto, quando o índice ficou nos 167.927,15 pontos.

Perdas acumuladas

Durante a sessão, o índice oscilou entre a mínima de 170.162,48 e a máxima de 175.711,22 pontos. Na semana, a perda acumulada é de 16,6%, e no mês o recuo é de 8,2%. As quedas atingiram vários sectores, sobretudo as empresas mais sensíveis à conjuntura económica interna, como o imobiliário e as companhias de menor dimensão.

Segundo dados da B3, os investidores estrangeiros retiraram R$ 2,846 mil milhões da bolsa na segunda-feira (26), o primeiro pregão depois da segunda volta das presidenciais.

Dólar em ligeira baixa

O dólar comercial fechou a R$ 5,34, menos 0,19%, depois de ter chegado a R$ 5,399 por volta das 13h30. A divisa norte-americana acumula, porém, uma subida de 6,95% na semana e de 3,19% em outubro, embora no conjunto do ano registe uma queda de 2,59%.

O mercado manteve o foco nas dúvidas sobre a política orçamental do novo governo. A decisão da Reserva Federal norte-americana (Fed) de manter os juros entre 3,75% e 4% era esperada e teve efeito limitado nos negócios brasileiros. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,28%.

Juros e um tombo histórico em dólares

No mercado de juros, as taxas dos contratos de DI de longo prazo subiram ao longo do dia, influenciadas pelos rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano e pelo noticiário político. A taxa para janeiro de 2035 estava em 15,12%, contra 14,907% no ajuste anterior. Na segunda-feira, algumas taxas tinham disparado mais de 250 pontos-base, com os agentes a temerem maiores dificuldades no equilíbrio das contas públicas com a reeleição de Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro.

Segundo um levantamento da consultora Elos Ayta, citado pelo InfoMoney, o Ibovespa medido em dólares caiu 21,13% a 26 de outubro, a quinta maior queda diária da sua história, superior às registadas no auge da pandemia de Covid-19, em março de 2020. O CEO da consultora, Einar Rivero, sublinha que a desvalorização do real amplifica as perdas quando convertidas para dólares e que uma queda desta dimensão não significa, por si só, deterioração da segurança institucional do mercado brasileiro.

Os operadores ouvidos pela Reuters apontaram ainda a preocupação com a fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, que chegou a Miami, apesar de investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal e de ter descumprido a ordem para entregar os passaportes.

Com informação de Agência Brasil — Economia, InfoMoney.

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