O surto atual já causou mais de 200 mortes e cerca de 900 pessoas tiveram a infecção confirmada.
Acredita-se que o número real de casos seja maior, pois o surto foi confirmado semanas depois.
Os esforços de resposta têm sido dificultados pela falta de uma vacina ou tratamento aprovado para o vírus Bundibugyo, responsável pelo surto atual.
“Se esse surto tivesse ocorrido na Europa, nos EUA ou em outro continente, em outros lugares, eles já teriam desenvolvido vacinas e medicamentos”, disse a Dra. Jean Kaseya, Diretora-Geral do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC), na sede do CDC em Adis Abeba.
“Para eles, não há interesse, não é a doença deles, não há interesse, não são eles, não são as pessoas deles que estão morrendo, e acho que isso também é um alerta para os africanos. Precisamos cuidar de nós mesmos, precisamos dizer que é hora de pensarmos seriamente em como podemos começar a fabricar medicamentos e vacinas para atender às nossas necessidades.”
Os recentes choques na área da saúde, incluindo a pandemia de COVID-19, desencadearam esforços para impulsionar a produção de vacinas na África, mas pouco foi alcançado até o momento. Embora haja iniciativas para acelerar o desenvolvimento de vacinas e diagnósticos, Kaseya afirmou não ter certeza se uma vacina estará disponível até o final do ano.
Ele acrescentou que o pico do surto de Ebola ainda está por vir devido ao progresso lento na identificação e monitoramento dos contatos.
As autoridades ainda não identificaram o paciente zero do surto e precisam rastrear mais de 36.000 pessoas que tiveram contato com indivíduos infectados, disse Kaseya.
