A reação negativa dos migrantes coloca em risco a economia da África do Sul

A África do Sul está vivenciando uma nova onda de protestos anti-imigração, impulsionada pela indignação com o desemprego, a criminalidade e anos de fraco crescimento econômico.

Mas economistas alertam que, se milhares de trabalhadores estrangeiros deixarem o país, isso poderá prejudicar justamente as empresas e os empregos que os manifestantes dizem querer proteger.

O sentimento anti-imigração vem crescendo há meses, culminando em uma marcha nacional no dia 30 de junho. As manifestações foram em grande parte pacíficas, mas o medo da violência já levou milhares de migrantes africanos a deixarem o país.

A partida deles poderá criar escassez de mão de obra em setores que dependem fortemente de trabalhadores estrangeiros — da construção civil e agricultura aos serviços de entrega e comércio local — e enfraquecer ainda mais a vasta economia informal da África do Sul.

Dados das Nações Unidas mostram que cerca de 2,6 milhões de migrantes viviam na África do Sul em 2024 — aproximadamente 5% da população. Estimativas da OCDE e da Organização Internacional do Trabalho sugerem que eles contribuem com cerca de 9% para o PIB da África do Sul.

Os protestos já estão causando transtornos em partes do setor varejista.

As “spaza shops” de propriedade estrangeira — pequenas lojas de conveniência informais, muitas vezes instaladas em barracos, garagens ou contêineres — são a espinha dorsal da economia informal, sustentando atacadistas, proprietários de imóveis e trabalhadores locais.

A Sixty60, o braço de entrega de compras online do maior varejista de alimentos da África do Sul, o Grupo Shoprite, também foi afetada. Dados da empresa mostram que menos de um em cada quatro motoristas é sul-africano.

O movimento anti-imigração vem se intensificando há anos, enquanto a África do Sul enfrenta um crescimento lento e uma profunda desigualdade econômica.

Em junho, o Banco Mundial reduziu sua previsão de crescimento para a África do Sul em 2026 de 1,4% para 1%. Ao mesmo tempo, dados oficiais mostram que o desemprego atinge quase um terço da população, deixando 8,1 milhões de sul-africanos sem trabalho.

Essas pressões alimentaram o ressentimento em relação aos migrantes. No entanto, um estudo da OIT baseado em pesquisas sobre a força de trabalho constatou que, quando mais migrantes ingressam no mercado de trabalho, o emprego para trabalhadores nascidos na África do Sul também tende a aumentar

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