Ataques levam quase 5.800 pessoas a abandonar casas em Cabo Delgado

A OIM contabiliza 5.794 deslocados em três semanas no norte de Moçambique. Metade encontrou refúgio em Nangade, e a comida, o abrigo e os bens básicos são as maiores carências.
Ataques levam quase 5.800 pessoas a abandonar casas em Cabo Delgado

Pelo menos 5.794 pessoas abandonaram as suas localidades na província moçambicana de Cabo Delgado entre 21 de setembro e 13 de outubro, em consequência de ataques de grupos insurgentes armados. Os dados constam do mais recente relatório do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Segundo o documento, os movimentos envolveram 1.785 agregados familiares e abrangeram os distritos de Nangade, Macomia, Muidumbe, Mocímboa da Praia, Montepuez e Mueda. A OIM explica que as saídas foram motivadas tanto pelos ataques como pelo receio de novas investidas de grupos armados não estatais.

Nambedo regista a maior fuga

A localidade de Nambedo, no distrito de Nangade, foi a que viu partir mais pessoas: 2.682. Seguiram-se Mirate, em Montepuez, com 995 deslocados, Chai, em Macomia, com 606, Pangane, também em Macomia, com 448, e Miengueleua, em Muidumbe, com 370.

Nangade foi igualmente o distrito que mais gente acolheu, com 3.041 pessoas, ou seja, 52% do total. Destas, 2.307 ficaram instaladas em Nambedo e 734 no Centro de Muadi. Em Macomia contaram-se 1.424 chegadas, sobretudo no Centro de Nondje, em Muagamula, que recebeu 815 pessoas. Montepuez acolheu 995 deslocados na localidade de Nacuca, posto administrativo de Mararange, Mueda recebeu 167, Mocímboa da Praia 95 e Muidumbe 72.

Crianças são mais de metade

A maioria dos deslocados fez o percurso a pé ou de autocarro. Entre os afetados contam-se 968 homens, 1.690 mulheres e 3.136 crianças, que representam 54% do total. A OIM identificou ainda 119 mulheres grávidas, 88 idosos com mais de 60 anos, 35 crianças desacompanhadas ou separadas das famílias, 38 pessoas com deficiência e 10 com doenças crónicas.

O levantamento aponta a alimentação, o abrigo e os bens não alimentares como as necessidades mais urgentes, referidas por 97%, 94% e 74% dos locais avaliados, respetivamente.

Números somam-se aos anteriores

Os novos dados consolidam os 4.445 deslocados já contabilizados no anterior alerta da OIM, a que se juntaram mais 1.349 pessoas entre 6 e 13 de outubro.

Cabo Delgado, província do norte de Moçambique rica em gás natural, é afetada desde 2017 por uma insurgência armada.

Com informação de RTP — Mundo, Notícias ao Minuto — Mundo.

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