Guiné-Bissau: Senegal envia mediador para discutir novo calendário eleitoral

O chefe da diplomacia senegalesa, mediador da CEDEAO, está em Bissau para analisar uma nova data para as eleições gerais, depois de responsáveis guineenses admitirem que a atual é inviável.
Guiné-Bissau: Senegal envia mediador para discutir novo calendário eleitoral

O ministro senegalês da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros e dos Senegaleses no Estrangeiro, Cheikh Niang, iniciou este domingo uma visita de trabalho de dois dias à Guiné-Bissau. Na qualidade de mediador da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para o país, vai analisar a definição de uma nova data para as eleições gerais.

Niang foi recebido no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, em Bissau, pelo ministro guineense da Justiça e dos Direitos Humanos, João Bernardo Vieira. O Senegal exerce atualmente a presidência rotativa do bloco regional.

Agenda de encontros

Durante a estadia, está previsto que o governante se reúna com as principais figuras políticas e militares do país: o presidente de transição, general Horta N’ta, o primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, e o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Tomás Djassi. Deverá ainda encontrar-se com representantes dos partidos políticos, da sociedade civil e do corpo diplomático.

Condições "não reunidas"

A deslocação surge depois de Vieira Té ter admitido, no dia 8, após uma reunião com o presidente de transição, que "nas circunstâncias atuais, não estão reunidas as condições necessárias para a realização das eleições" na data prevista. O primeiro-ministro apontou limitações ligadas à organização e ao funcionamento dos partidos políticos.

Também a secretária-executiva adjunta da Comissão Nacional Eleitoral, Felisberta Moura Vaz, classificou a data atual como "inviável" e alertou que "a maior parte do calendário eleitoral está em risco".

Contexto

O Exército derrubou, a 26 de novembro de 2025, o então Presidente Umaro Sissoco Embaló, três dias após as eleições gerais e antes da divulgação dos resultados. Os militares suspenderam o processo eleitoral e nomearam Horta N’ta presidente de transição.

A junta convocou novas eleições presidenciais e legislativas para 6 de dezembro e promoveu uma nova Constituição, aprovada em referendo, que alarga os poderes do Presidente e altera as regras eleitorais. No início de outubro, anunciou que, para já, não permitiria o regresso de Embaló, que pretendia voltar no dia 4 para se candidatar ao escrutínio de dezembro.

A Guiné-Bissau, país lusófono, enfrenta há anos instabilidade política e institucional e já sofreu cinco golpes de Estado desde a independência de Portugal, em 1974.

Com informação de RTP — Mundo, Notícias ao Minuto — Mundo.

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