As ruas da capital, N’Djamena, e de outras cidades do Chade foram tomadas por centenas de apoiantes da oposição. O alvo central da contestação é a detenção de Succès Masra, uma das vozes mais críticas do governo militar de transição. O clima é de grande tensão, com as forças de segurança a monitorizar de perto os movimentos populares.
Succès Masra, economista de formação e líder do partido “Les Transformateurs”, tem sido a figura de proa nos apelos por uma transição civil imediata e eleições transparentes. A sua detenção é vista pelos manifestantes não apenas como um ataque individual, mas como uma tentativa de silenciar a dissidência política num momento em que o país redefine o seu futuro.
O Contexto da Crise
- Transição Prolongada: Desde a morte de Idriss Déby Itno, em 2021, o país é governado por um conselho militar. A oposição acusa o conselho de adiar sistematicamente o regresso à ordem constitucional.
- Repressão e Direitos Humanos: Organizações internacionais têm alertado para o uso excessivo da força contra manifestantes pacíficos, o que tem alimentado ainda mais a revolta popular.
- O Papel de Masra: Como líder carismático, Masra conseguiu mobilizar a juventude chadeana, utilizando plataformas digitais para contornar a censura estatal.
Centenas de pessoas se reuniram na quarta-feira em N’Djamena para exigir a libertação do líder da oposição chadiana e ex-primeiro-ministro Succes Masra, que está preso há quase um ano.
Os ativistas eram membros do Les Transformateurs (Transformadores), o maior partido da oposição do país, que comemorava seu oitavo aniversário na sede do partido, na capital.
A maioria dos presentes eram jovens, protestando sob um calor intenso e carregando cartazes que pediam a libertação de Masra, um dos críticos mais ferrenhos do presidente Mahamat Idriss Deby Itno.
“Um homem inocente está hoje privado de sua liberdade e direitos básicos por ter levado a voz e personificado a esperança de todo o povo”, disse Ngagorngar Tog-Yeum, secretário-geral do Partido dos Transformadores.
Ele também pediu a libertação de várias outras figuras da oposição do movimento GCAP presas nos últimos dias, afirmando que elas – assim como Masra – “não têm o direito de estar na prisão”.
Em agosto passado, Masra foi condenado a 20 anos de prisão por um tribunal de N’Djamena. Ele foi considerado culpado de discurso de ódio, xenofobia e incitação a um massacre, em referência à violência intercomunitária que matou 42 pessoas em maio.
Formado em economia na França e em Camarões, Masra era um opositor ferrenho das autoridades governantes antes de ser nomeado primeiro-ministro cinco meses antes da eleição presidencial de 2024.
Masra enfrentou Deby nas eleições presidenciais de 2024, obtendo 18,5% dos votos contra 61,3% de Deby, mas reivindicou a vitória.