O aumento do custo de vida é a principal preocupação dos norte-americanos nas eleições intercalares desta terça-feira, que vão decidir quem controla o Congresso nos últimos dois anos do mandato do Presidente Donald Trump. A conclusão é de uma sondagem da Reuters/Ipsos.
O inquérito ouviu 1.765 adultos em todo o país, entre quinta-feira e segunda-feira, e tem uma margem de erro de 3 pontos percentuais para os eleitores registados.
Custo de vida à frente de tudo
Cerca de 48% dos eleitores registados dizem que o custo de vida é o tema decisivo na escolha do voto. Seguem-se as normas democráticas, apontadas por 26%, e a imigração, por 13%. Os preços dos combustíveis nos Estados Unidos dispararam desde que, em Fevereiro, os EUA e Israel iniciaram a guerra contra o Irão.
As finanças familiares reflectem esse mal-estar: 49% dos inquiridos consideram que a situação do seu agregado piorou desde Janeiro de 2025, quando Trump regressou ao poder. Só 13% dizem que melhorou e 37% que ficou praticamente na mesma. Entre os hispano-americanos, que se inclinaram para Trump em 2024, 54% afirmam ter sido prejudicados e 10% dizem ter melhorado. A popularidade do Presidente caiu nos últimos meses para os níveis mais baixos da sua carreira política.
Trump e a guerra no Irão
Trump pediu aos apoiantes que votem como se ele próprio estivesse no boletim, numa tentativa de mobilizar o Partido Republicano. Contudo, 48% dos que tencionam votar, ou já votaram, dizem que o seu voto é contra o Presidente, face a 25% que votam a seu favor. Outros 25% afirmam que Trump não pesou na decisão.
Sobre o Irão, o Presidente defendeu que a guerra era necessária para impedir o desenvolvimento de armas nucleares. Apenas 25% dos eleitores acham que a acção militar valeu a pena, 55% dizem que não e 18% não têm certeza.
Confiança no sistema, dúvidas sobre fraude
A maioria confia no processo eleitoral: 77% estão convictos de que o seu voto será contado. Ainda assim, 45% acreditam que a fraude eleitoral é um problema generalizado. Trump alegou, sem fundamento, que um grande número de não cidadãos vota ilegalmente, e as autoridades eleitorais receiam que o Governo possa interferir na eleição ou na certificação de resultados que considere desfavoráveis. A Casa Branca garante que pretende salvaguardar a integridade e a segurança do voto.
Outros temas
A sondagem abordou ainda outras questões:
– 38% consideram muito importante, ou o mais importante, manter raparigas e mulheres transgénero fora do desporto feminino; 25% dizem o mesmo sobre a defesa dos direitos das pessoas transgénero.
– 42% dos eleitores registados dão grande importância à limitação da construção de centros de dados usados para alimentar a inteligência artificial.
– Uma maioria bipartidária, incluindo 93% dos democratas e 71% dos republicanos, considera inadequado que bilionários doem dezenas de milhões de dólares para influenciar eleições.
Na disputa pelo Congresso, os inquiridos parecem favorecer ligeiramente os democratas, mas permanecem divididos quanto a qual dos partidos tem boas ideias: 43% dizem que os democratas têm pelo menos algumas, contra 39% para os republicanos.
Com informação de InfoMoney.
