Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito Presidente do Brasil, ao vencer a segunda volta das eleições presidenciais, no domingo, 25, contra o senador Flávio Bolsonaro. Com 99,90% das urnas apuradas, o candidato do PT somava 51,77% dos votos, contra cerca de 48,2% do adversário. Fica assim garantido o quarto mandato do líder petista.
Uma virada sem precedentes
Segundo o InfoMoney, Lula tinha sido derrotado na primeira volta e conseguiu inverter o resultado na segunda. Foi a primeira vez, desde a redemocratização do Brasil, que um candidato passou de derrotado na primeira volta a vencedor na segunda numa eleição presidencial. O Presidente reeleito superou ainda os 64 milhões de votos, acima dos 60,3 milhões que obteve na segunda volta de 2022, frente a Jair Bolsonaro.
A abstenção fixou-se em 19,21%, o equivalente a mais de 30,4 milhões de eleitores, abaixo dos 21,08% registados na primeira volta. No voto no exterior, Flávio Bolsonaro liderava nos Estados Unidos, com 65,7%, e Lula na Argentina, com 68,9%, segundo dados parciais de apuração.
Prorrogação da votação e contestação
O dia eleitoral ficou marcado por queixas sobre dificuldades de transporte de eleitores. O ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin determinou que as secções ainda com votação em curso se mantivessem abertas até às 19h00 (hora de Brasília). A ordem foi transmitida aos tribunais regionais eleitorais pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, e provocou uma interrupção temporária na totalização, retomada depois de terminado o prazo adicional.
É essa prorrogação, de duas horas, que Flávio Bolsonaro invoca para recusar o resultado. Considera-a "inaceitável" e anunciou que vai pedir a anulação das eleições. Apontou o dedo ao STF e afirmou que não reconhece Lula como vencedor. "Eu não vou desistir do meu Brasil e espero que também não desistam", declarou.
Nunes Marques, por seu turno, disse ter telefonado a Lula e a Flávio Bolsonaro depois de confirmado o resultado, felicitando o senador pela campanha. Defendeu a fiabilidade do processo: "Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral".
Reacções
O Presidente do Paraguai, Santiago Peña, saudou o "povo brasileiro" e disse que os dois países vão continuar a trabalhar em conjunto. A imprensa internacional leu o resultado como um travão à vaga conservadora na América Latina e um revés para o Presidente norte-americano, Donald Trump. O New York Times notou que a vitória interrompe uma sequência de sete triunfos seguidos da direita na região nos últimos 18 meses.
O InfoMoney assinala, contudo, que Lula enfrentará um Congresso mais à direita, e o PL saiu reforçado das urnas. O Presidente deverá tomar posse a 1 de Janeiro.
Com informação de RTP — Mundo, InfoMoney, Observador.
