Os Estados Unidos realizam esta terça-feira, 3, as eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, que vão determinar qual o partido que controlará a Câmara dos Representantes e o Senado nos próximos dois anos. O escrutínio é considerado crucial para o Presidente Donald Trump.
Contagem sem órgão central
Ao contrário de outros países, os EUA não têm uma entidade nacional que coordene as eleições e totalize os votos. Cada estado aplica as suas próprias regras, e os horários de encerramento das urnas variam. Na Flórida, a votação termina às 19h; em Nova Iorque, às 21h; no Tennessee, o horário depende do condado.
A apuração começa, em regra, logo após o fecho das assembleias de voto. Na maior parte dos estados, o voto é em boletins de papel, contados por trabalhadores eleitorais, muitas vezes funcionários públicos, sob fiscalização de membros dos partidos. Quando a diferença entre dois candidatos é mínima, os partidos ou a Justiça podem pedir uma recontagem.
Como não há centralização oficial dos resultados, essa função é desempenhada na prática pela imprensa. A agência Associated Press é, há quase 200 anos, a principal fonte de agregação de dados e, com base em modelos estatísticos, costuma projectar vencedores antes do fim da contagem.
Horários e possíveis atrasos
Segundo a Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais, as primeiras urnas fecham em partes de Indiana e do Kentucky, às 20h de Brasília. As últimas encerram às 15h de quarta-feira, 4, nas Ilhas Aleutas, no Alasca. No Havai e no resto do Alasca, a votação termina às 14h.
Os primeiros resultados devem surgir ainda durante a noite, mas a definição do controlo do Congresso pode levar dias. A rapidez depende das regras de cada estado, do volume de votos enviados pelo correio e da margem entre candidatos. A Califórnia, por exemplo, costuma demorar semanas, pois aceita boletins com carimbo postal do dia da eleição, mesmo que cheguem mais tarde. Por isso, quem lidera nas primeiras parciais nem sempre acaba por vencer.
Nas midterms de 2022, o controlo do Senado só foi projectado quatro dias após a votação, quando a democrata Catherine Cortez Masto confirmou a reeleição no Nevada. A maioria republicana na Câmara foi conhecida oito dias depois.
O que está em jogo
Os deputados norte-americanos cumprem mandatos de dois anos e os senadores de seis, pelo que, de dois em dois anos, se renova toda a Câmara e cerca de um terço do Senado. Desta vez disputam-se as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado. Duas destas são eleições especiais: no Ohio, para o lugar deixado por J.D. Vance ao tornar-se vice-presidente, e na Flórida, para a vaga de Marco Rubio, entretanto secretário de Estado.
Elegem-se ainda governadores em 36 estados. De acordo com a Constituição, os eleitos tomam posse a 3 de Janeiro; como em 2027 essa data é um domingo, o Congresso só poderá ser instalado noutro dia se uma lei fixar nova data.
Segundo a imprensa norte-americana, as campanhas angariaram mais de 15 mil milhões de dólares.
Com informação de G1 — Mundo, InfoMoney.
