Morre Robert Redford, lenda do cinema e ícone de Hollywood, aos 89 anos

Vencedor do Oscar de direção por 'Gente como a Gente' e astro de clássicos como 'Butch Cassidy' e 'Descalços no Parque', o ator e cineasta deixou um legado que redefine o cinema americano.

O mundo do cinema está de luto nesta segunda-feira (26) com a confirmação do falecimento de Robert Redford, um dos atores e diretores mais emblemáticos de Hollywood. Ele morreu pacificamente em sua casa em Santa Fé, Novo México, cercado por sua família, após uma longa jornada. A causa da morte não foi divulgada. Redford tinha 89 anos.

A notícia foi confirmada por sua família através de um comunicado à imprensa: “É com um coração pesado que anunciamos a partida de nosso amado marido, pai e avô. Ele foi um guerreiro incansável do cinema, um defensor ferrenho da natureza e um homem de família dedicado. Sua herança perdurará através de seus filmes, do Festival Sundance e do amor que ele espalhou por onde passou.”

De “Descalços no Parque” a um Ícone Atemporal

Nascido Charles Robert Redford Jr. em 18 de agosto de 1936, em Santa Monica, Califórnia, ele se tornou sinônimo de charme, talento versátil e inteligência cinematográfica. Sua carreira decolou na Broadway, mas foi no cinema que ele se tornou uma lenda.

Seu primeiro grande sucesso veio ao lado de Jane Fonda na comédia romântica “Descalços no Parque” (1967), de Gene Saks. A química entre os dois era palpável e catapultou Redford para o estrelato. No entanto, foi a parceria com Paul Newman que o cementou como um ícone. Juntos, eles formaram uma das duplas mais carismáticas da história do cinema em “Butch Cassidy e o Sundance Kid” (1969) e “O Golpe” (1973).

Redford não foi apenas um rosto bonito. Sua ambição o levou para trás das câmeras, onde encontrou seu maior sucesso crítico. Em 1981, ele fez sua estreia na direção com “Gente como a Gente” (Ordinary People), um drama familiar cru e emocionante que conquistou quatro prêmios Oscar, incluindo Melhor Direção para Redford e Melhor Filme.

O Legado Além das Telas: O Festival Sundance

Talvez sua contribuição mais duradoura para a cultura cinematográfica tenha sido a criação do Festival de Cinema de Sundance. O que começou como um pequeno esforço para promover filmes independentes em Utah, nos anos 80, transformou-se no festival de cinema independente mais importante do mundo. Sundance tornou-se uma vitrine crucial para cineastas iniciantes e foi o berço de sucessos como “Pulp Fiction”, “Sex, Lies, and Videotape” e “Na Natureza Selvagem”.

“Sundance foi a realização de um sonho de Redford: dar voz a histórias que de outra forma não seriam ouvidas. Ele mudou o panorama do cinema para sempre”, disse John Cooper, ex-diretor do festival.

Reações e Homenagens

A notícia de sua morte provocou uma onda de homenagens de colegas, admiradores e instituições.

  • Jane Fonda, sua parceira em “Descalços no Parque” e “O Cavalo de Ferro”, declarou: “Meu coração está partido. Ele era meu parceiro perfeito em cena e um amigo leal na vida. O mundo perdeu um de seus grandes artistas”.
  • Barbra Streisand, sua parceira em “O Melhor Espião que o Dinheiro Pode Comprar” e “A Lua de Mel sem Final”, disse: “Ele era lindo por dentro e por fora. Um talento raro e uma alma gentil”.
  • Academy of Motion Picture Arts and Sciences postou em suas redes sociais: “Ele era cinema. Nosso coração está com sua família. Obrigado, Bob, por tudo.”

Robert Redford deixa sua esposa, Sibylle Szaggars, seus filhos Scott, Jamie, Amy e Lena, e dez netos. Seu filho James, também cineasta, faleceu em 2020.

Robert Redford não era apenas uma estrela; era uma força da natureza. Com seu olhar azul penetrante e seu sorriso fácil, ele definiu uma era de Hollywood, mas seu verdadeiro legado é a porta que ele abriu para incontáveis sonhos independentes, garantindo que a magia do cinema continuasse a evoluir e inspirar.

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