Nova York quer obrigar a Amazon a contratar directamente os seus estafetas

O presidente da câmara, Zohran Mamdani, propõe proibir a Amazon de recorrer a transportadoras subcontratadas. A presidente do Conselho Municipal hesita e pondera uma versão mais limitada do projecto.
Nova York quer obrigar a Amazon a contratar directamente os seus estafetas

A cidade de Nova York prepara-se para um braço de ferro com a Amazon. O presidente da câmara, Zohran Mamdani, quer proibir o uso de empresas subcontratadas na distribuição de encomendas e obrigar a gigante do comércio electrónico a contratar directamente os estafetas que circulam nas ruas com a sua marca.

Segundo a InfoMoney, nenhum dos condutores das carrinhas e camiões com o logótipo da Amazon na cidade é, formalmente, empregado da empresa. Trabalham para várias transportadoras terceiras com contratos com a multinacional. A proibição proposta, incluída num projecto de lei mais amplo sobre licenciamento, seria a primeira vedação explícita do país ao uso dos chamados parceiros de serviços de entrega.

Uma presidente do Conselho em posição delicada

No centro do impasse está Julie Menin, presidente do Conselho Municipal. Democrata de centro, adoptou uma posição mais favorável às empresas, numa cidade liderada por um autarca socialista democrático. Disse temer que o projecto custe empregos e leve a Amazon a aumentar preços.

Segundo duas pessoas familiarizadas com o seu pensamento, Menin pondera reduzir o diploma ao licenciamento dos armazéns que trabalham com as transportadoras e à regulação das suas operações. Essa versão não obrigaria a Amazon a contratar directamente os estafetas. Ainda assim, mantém-se aberta à proibição e pediu à sua equipa que estude as implicações.

A pressão a favor do projecto aumentou depois de uma audiência marcada por forte emoção, em Abril, em que estafetas descreveram condições de trabalho inseguras, incluindo acidentes de viação. O diploma já reúne patrocinadores suficientes para ser aprovado, se Menin o levar a votos.

Tiffany Cabán, principal patrocinadora e também socialista democrática, considerou-o "o mais importante projecto de lei municipal sobre trabalho" do país neste momento. Os defensores esperam condições mais seguras, salários mais altos e menos obstáculos à sindicalização.

Ameaça de tribunal e de saída da cidade

A Amazon admitiu processar a cidade se o texto for aprovado tal como está. Os opositores lançaram uma campanha de lobbying de vários milhões de dólares, com anúncios digitais a avisar que a medida "destruiria" as entregas no próprio dia e em dois dias.

O projecto prevê a proibição de subcontratar o armazenamento ou a entrega de encomendas, após um período de adaptação com algumas prorrogações. Se uma transportadora fechar por causa da lei e despedir os estafetas, estes teriam de ser recontratados pela Amazon.

Segundo o porta-voz Steve Kelly, a Amazon mantém contratos com mais de 40 empresas parceiras em Nova York, que empregam mais de 5 mil pessoas. Questionado sobre se cumpriria a exigência de recontratação, afirmou que a empresa consideraria "transferir as suas operações e instalações de entrega" para fora da cidade.

Ty Barnes, dono da NorthStar Logistics, que entrega encomendas da Amazon no Bronx, diz empregar cerca de 100 pessoas, que distribuem mais de 100 mil pacotes por semana. Afirma que a lei obrigaria a empresa a encerrar: "O meu negócio seria absolutamente destruído."

Mamdani contra Bezos

Mamdani abraçou a causa, que lhe permite confrontar um grupo fundado por Jeff Bezos, uma das pessoas mais ricas do mundo, e reforçar a imagem de defensor dos trabalhadores. "Quando um estafeta veste um colete da Amazon, conduz uma carrinha da Amazon, segue uma rota definida pela Amazon e a Amazon insiste que não trabalha para ela, o que é isso, senão exploração?", questionou num acto com Cabán.

Menin afirmou, porém, que os advogados da própria administração municipal manifestaram reservas ao Conselho enquanto o autarca promovia a proposta. Em comunicado, defendeu que a medida "pode e deve" proteger os trabalhadores sem eliminar empregos.

Com informação de InfoMoney.

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