Oxfam: 0,1% mais ricos emitem mais do que os 3,5 mil milhões mais pobres

Análise da Oxfam, divulgada antes da COP31, indica que oito milhões de super-ricos poluem mais do que metade da população mundial e pede impostos sobre a riqueza e o luxo.
Oxfam: 0,1% mais ricos emitem mais do que os 3,5 mil milhões mais pobres

Os 0,1% mais ricos do mundo produzem mais poluição do que os 3,5 mil milhões de pessoas mais pobres do planeta, em conjunto. A conclusão consta de uma análise da Oxfam, divulgada antes da 31.ª conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP31), marcada para novembro em Antalya, na Turquia.

Desigualdade nas emissões

Segundo a confederação internacional de organizações contra a pobreza e a desigualdade, os 0,1% mais ricos correspondem a oito milhões de pessoas. Cada uma delas contribuiu quase 400 vezes mais para as actuais vagas de calor extremo do que alguém pertencente aos 50% mais pobres da humanidade.

Coletivamente, este grupo emite mais de três vezes os gases com efeito de estufa produzidos por toda a população da África Subsaariana, estimada em 1,3 mil milhões de pessoas.

A Oxfam calcula ainda que o 1% mais rico é responsável por 20% do aquecimento global registado desde 1990, emitindo em média 100 vezes mais por pessoa do que alguém dos 50% mais pobres.

Mortes e protecção desigual

De acordo com o estudo, as emissões deste 1% poderão causar 1,9 milhões de mortes adicionais relacionadas com o calor num único ano. Destas, 78% ocorreriam em países de baixo rendimento ou de rendimento médio-baixo, que representam apenas 8% das emissões globais.

"Quem menos contribuiu para esta crise está a perder as suas casas, colheitas e, cada vez mais, as suas vidas", afirmou o director-executivo da Oxfam International, Amitabh Behar, citado em comunicado.

A organização sustenta que os super-ricos se protegem com seguros privados, habitações em zonas mais seguras e serviços privados de combate a incêndios, enquanto a maioria enfrenta inundações, fogos e insegurança alimentar. Como exemplo, aponta a aviação privada: os jactos privados emitem, no conjunto, em dois segundos mais gases do que uma pessoa dos 50% mais pobres num ano inteiro.

O que pede a Oxfam

No estudo, intitulado "Índice Destruir e Reconstruir", a Oxfam pede aos governos que se vão reunir na COP31 que façam pagar os grandes poluidores. Propõe impostos permanentes sobre a riqueza e os rendimentos elevados, taxas sobre as empresas de combustíveis fósseis e impostos sobre bens de luxo muito poluentes, como os jactos privados.

Defende também um aumento substancial do financiamento climático para o Sul Global, com prioridade para o financiamento público e as subvenções em vez de empréstimos, e pede que o financiamento para a adaptação seja triplicado até 2035.

A Oxfam estima que, até 2050, cerca de mil milhões de pessoas, ou 10% da população mundial, possam ser deslocadas devido à crise climática, sobretudo no Sul Global.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo, Observador.

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