O ex-diretor do FBI James Comey foi novamente acusado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de acordo com a NBC News. A informação surge no mesmo dia em que um juiz federal decidiu que a demissão da filha, Maurene Comey, do cargo de promotora federal, pela administração de Donald Trump, foi ilegal.
Num vídeo publicado no Instagram, Comey afirmou que as autoridades voltaram a agir contra ele e declarou-se inocente. Não adiantou pormenores sobre a nova acusação.
Um historial de processos
Comey já responde a outros processos federais. No ano passado, foi acusado de mentir ao Congresso sobre a autorização de fugas de informação para a imprensa. O caso foi arquivado depois de um juiz concluir que o promotor responsável pela acusação não tinha sido nomeado legalmente.
Noutro processo, é acusado de ameaçar Trump por ter publicado uma fotografia de conchas dispostas de modo a formar os números “86 47”. A combinação foi interpretada como uma possível referência à retirada do Presidente do cargo. Comey declarou-se inocente.
Trump demitiu-o da direção do FBI em 2017, durante o primeiro mandato, numa altura em que a agência investigava contactos entre a campanha republicana de 2016 e russos. Desde então, Comey tornou-se um crítico do Presidente.
Demissão da filha considerada ilegal
A decisão judicial diz respeito a Maurene Comey, que trabalhou como promotora no gabinete do procurador federal de Manhattan desde 2015. Participou nos processos criminais contra Ghislaine Maxwell, associada de Jeffrey Epstein, e contra o magnata da música Sean “Diddy” Combs.
Foi demitida pelo Departamento de Justiça em julho de 2025, poucos meses depois do início do segundo mandato de Trump. Na ação judicial, sustentou que perdeu o cargo por ser filha de James Comey, o que violaria as normas que protegem os funcionários federais de despedimentos por motivos políticos.
O juiz federal Jesse Furman determinou a reintegração retroativa até dezembro de 2025, o que permite o pagamento de salários em atraso e o acesso a benefícios de reforma.
O Departamento de Justiça disse discordar da decisão e pretender recorrer. Porém, o juiz ainda não se pronunciou sobre uma das alegações de Maurene Comey, o que impede, para já, a interposição de recurso.
A administração Trump argumentou que o Presidente ou o procurador-geral podem demitir promotores federais sem justificação, dadas as funções executivas que exercem. Furman rejeitou a tese, lembrando que há precedentes que permitem ao Congresso limitar o poder do Executivo para demitir determinados funcionários públicos.
Com informação de G1 — Mundo.
