Militantes islâmicos e um grupo separatista emboscaram um comboio do exército maliano no norte do país, região duramente atingida pela guerra, neste sábado, resultando na morte ou captura de dezenas de soldados, disseram os rebeldes.
O exército do Mali confirmou o ataque, afirmando em comunicado que grupos armados emboscaram o comboio de soldados malianos e seus parceiros em uma área remota da região de Gao, no norte do país, e que estavam lançando contra-ataques. Este foi o mais recente de uma série de ataques de militantes contra as forças de segurança do Mali nos últimos meses, em meio à disputa entre grupos armados por influência e territórios na região do Sahel.
Mais tarde, no domingo, o exército afirmou ter realizado “ataques de precisão contra posições inimigas” na área onde ocorreu o ataque. “Três posições terroristas foram alvejadas com sucesso e vários terroristas foram neutralizados. … Essas operações permitiram que o comboio escapasse das emboscadas e continuasse sua rota”, declarou.
Tanto o JNIM, afiliado regional da Al-Qaeda, quanto a Frente de Libertação de Azawad (FLA), grupo separatista, reivindicaram a autoria do ataque como uma operação conjunta, em comunicados que mencionavam “grandes perdas humanas” e “sérios danos materiais” ao exército do Mali.
Os grupos afirmaram que o comboio era composto tanto pelo exército do Mali quanto pelo Afrika Korps da Rússia, cujas forças têm apoiado o exército do Mali no terreno.
Essa é a mais recente parceria entre os dois grupos que, segundo observadores, representa grandes riscos para a estabilidade do Mali e para a junta militar que governa o país.
“Muitos soldados foram mortos e outros capturados vivos. Veículos do exército, incluindo carros blindados, foram destruídos e outros apreendidos em bom estado”, disse o porta-voz do FLA, Mohamed Elmaouloud Ramadane.
O comboio militar estava saindo da cidade de Anefis, no norte do país, rumo à cidade de Gao, quando foi emboscado no deserto do Saara. A natureza do comboio não ficou imediatamente clara, embora caminhões-tanque de combustível pudessem ser vistos entre eles, sugerindo que poderia ser um comboio logístico do Mali.
Os rebeldes divulgaram vídeos que supostamente mostram os soldados enfileirados, aparentemente se rendendo, enquanto são cercados por militantes e veículos militares malianos. Em um dos vídeos, os rebeldes aparecem atirando contra alguns soldados deitados no chão. Os soldados também aparecem sendo transportados em veículos pertencentes aos grupos armados.
A Associated Press não conseguiu verificar os vídeos de forma independente.
Nos últimos meses, ocorreram uma série de ataques de militantes contra as forças de segurança do Mali, em meio à disputa entre grupos armados por influência e território na região do Sahel. O Mali, país sem litoral, faz parte do Sahel, uma vasta faixa de terra ao sul do Deserto do Saara que se tornou o epicentro da violência extremista nos últimos anos.
No norte do Mali, grupos separatistas liderados por tuaregues lutam há anos pela criação de um estado independente chamado Azawad. Em 2024, eles se uniram para formar a Frente de Libertação de Azawad (FLA).
Tanto o FLA quanto o JNIM têm trabalhado cada vez mais em conjunto em seus ataques contra as forças malianas, incluindo o maior ataque coordenado em mais de uma década naquele país da África Ocidental, que ocorreu em abril.
