A Rússia lançou, na terça-feira (3), uma nova vaga de ataques contra a infra-estrutura energética da Ucrânia, com dezenas de mísseis e centenas de drones. Segundo a Reuters, os bombardeamentos atingiram centrais e subestações eléctricas e deixaram várias regiões sem energia, a cerca de uma semana da retoma das negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos.
Ataque de grandes dimensões
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que, durante a madrugada, a Rússia disparou 289 drones, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro. Os alvos estenderam-se do porto de Odessa, no Mar Negro, a sul, até Rivne, a oeste. As autoridades ucranianas classificaram a ofensiva como uma das maiores da guerra.
A DTEK, a maior empresa privada de geração de energia da Ucrânia, indicou que três das suas cinco centrais termoeléctricas ficaram fora de serviço. Houve cortes de energia em Kiev e em pelo menos outras seis regiões, e na capital foram igualmente interrompidos o abastecimento de água e o transporte. O primeiro-ministro, Sergii Koretskyi, disse que uma estação ferroviária, carruagens de passageiros e locomotivas também foram atingidas.
Em Dnipro, duas pessoas morreram e cerca de 20 ficaram feridas, de acordo com as autoridades regionais. Moradores contaram à imprensa que a população está a armazenar água e carregadores portáteis. "Este inverno será muito difícil", disse Olha Hyria, de 49 anos.
O Ministério da Defesa russo declarou que as suas tropas atingiram instalações de energia que abastecem fábricas militares e as Forças Armadas ucranianas.
Escola bombardeada em Zaporizhzhia
Na segunda-feira (2), segundo Zelensky, pelo menos 33 pessoas morreram quando a Rússia bombardeou por duas vezes uma escola que funcionava como centro de distribuição de ajuda humanitária, na aldeia de Komyshuvakha, perto da linha da frente, na região de Zaporizhzhia. O Presidente disse que cerca de 50 pessoas poderiam ainda estar soterradas.
Moscovo deu outra versão: afirmou ter atacado unidades militares ucranianas nas proximidades daquela e de outras duas localidades, causando até 25 baixas, e destruído 15 veículos e uma estação de guerra electrónica. As autoridades russas acusaram ainda a Ucrânia de provocar um incêndio numa grande refinaria em Yaroslavl.
Os ataques surgiram menos de dois dias depois do fim de uma breve trégua humanitária em Oleshky, cidade controlada pela Rússia, negociada com a ajuda da primeira-dama norte-americana, Melania Trump.
Diplomacia sob pressão
Os Estados Unidos marcaram negociações para 10 e 11 de Novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Em Berlim, ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Zelensky afirmou que os bombardeamentos mostram que Moscovo está mais interessada em matar do que em aproveitar a trégua para avançar nas conversações. Criticou ainda o facto de os ataques coincidirem com as eleições legislativas norte-americanas e pediu mais equipamento de defesa antiaérea.
Merz considerou as conversações em Abu Dhabi "o passo certo" e defendeu a participação da Europa, mas sublinhou que a Rússia tem de se empenhar em negociações sérias sobre um cessar-fogo. "Não vi nenhum sinal disso até agora", afirmou. A Alemanha tornou-se o maior apoiante da Ucrânia desde que Donald Trump regressou à Casa Branca e retirou o apoio financeiro norte-americano.
A Comissão Europeia vai reunir-se na quarta-feira (4) com representantes dos EUA, da NATO, de países europeus e da Ucrânia para discutir um "plano de prosperidade" e garantias de segurança. A NATO fará novas consultas na quinta-feira (5).
Desde o início da guerra, há mais de quatro anos, a Rússia tem atacado repetidamente o sistema energético ucraniano, sobretudo à medida que o Inverno se aproxima. Este ano, a Ucrânia também intensificou os ataques às refinarias russas.
Com informação de G1 — Mundo.
