O Irão afirmou hoje que a resposta dos Estados Unidos à sua proposta para pôr fim à guerra "não foi convincente" e insistiu que só reabrirá o estreito de Ormuz se Washington aceitar as condições de Teerão.
A posição foi divulgada na rede social X por Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano. Segundo Rezaei, os Estados Unidos devem responder de forma "plena e explícita" às sete condições apresentadas pelo Irão e agir em conformidade. "Só então o estreito de Ormuz será reaberto", escreveu.
O que exige Teerão
Entre as exigências para um acordo de paz estão o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, o desbloqueio de activos financeiros iranianos em países terceiros, o levantamento das sanções ao petróleo e o fim do bloqueio norte-americano a portos e navios do país.
Na segunda-feira, o porta-voz da diplomacia iraniana, Ismail Bagaei, tinha dito que, se Washington aceitasse estas condições, Teerão reabriria o estreito no prazo de dois dias. Bagaei declarou ainda que o Irão participa em qualquer processo diplomático com "máxima cautela e total pessimismo", dada a experiência de violação de acordos anteriores por parte dos Estados Unidos, segundo a InfoMoney.
A guerra começou a 28 de Fevereiro. Na última semana, Irão e Estados Unidos intensificaram as negociações indirectas, mas até agora não chegaram a acordo.
Ataque a Qeshm
Em simultâneo, os Estados Unidos atacaram na noite de segunda-feira a ilha iraniana de Qeshm, no sul do país, numa operação limitada, noticiou o The Wall Street Journal. Seriam os primeiros ataques ao território iraniano em dois meses.
Donald Trump confirmou a acção numa entrevista à Fox News. "Foi um pequeno ataque, não uma guerra", disse, acrescentando que o alvo era uma infra-estrutura antiaérea que o Irão levou cerca de dois meses a construir. O Presidente norte-americano não fez referência às exigências iranianas.
O Comando Central dos EUA não anunciou a operação. Responsáveis norte-americanos citados por vários meios de comunicação disseram que o ataque respondeu ao abate de uma aeronave militar norte-americana na região. A Guarda Revolucionária iraniana reivindicou, de madrugada, o derrube de dois drones de reconhecimento dos EUA junto a Qeshm, de acordo com a agência EFE.
O vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, afirmou que o Irão mantém o direito à legítima defesa enquanto a agressão militar não cessar de forma completa e definitiva. Não confirmou, porém, que os ataques a Qeshm tenham ocorrido.
Apelo ao diálogo
O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, afirmou numa reunião do Conselho de Ministros que "ninguém beneficiará desta guerra" e que o Governo procura uma saída "através do diálogo". Revelou que o líder supremo deu ao executivo poderes para abordar nas negociações "questões anteriormente consideradas tabu", sem dizer quais.
Os ataques coincidem com as eleições intercalares nos Estados Unidos, cujas sondagens apontam para uma possível vitória dos democratas, que poderão assumir a maioria nas duas câmaras do Congresso. Meios norte-americanos, como o Axios, noticiam a possibilidade de a guerra ser retomada depois do escrutínio.
Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo, InfoMoney.
