Texas elege democrata para o Senado pela primeira vez em 38 anos

O democrata James Talarico, de 37 anos, venceu o republicano Ken Paxton na corrida ao Senado pelo Texas, quebrando um jejum que durava desde 1988 num estado tradicionalmente conservador.
Texas elege democrata para o Senado pela primeira vez em 38 anos

O democrata James Talarico venceu a eleição para o Senado pelo Texas, nas eleições intercalares dos Estados Unidos. É o primeiro democrata a conquistar um lugar no Senado por aquele estado em 38 anos: o último tinha sido Lloyd Bentsen, em 1988.

Um seminarista contra o aliado de Trump

Talarico, de 37 anos, é deputado estadual desde 2018 e foi professor na rede pública. Nasceu nos arredores de Austin, estudou ciência política e fez um mestrado em políticas educacionais em Harvard. Foi também seminarista presbiteriano e tem um mestrado em estudos teológicos.

Num ciclo eleitoral em que o Partido Republicano colocou a fé cristã no centro da campanha, o candidato democrata também recorreu à religião, mas contrapôs-se ao nacionalismo cristão associado à Administração de Donald Trump. Defendeu a diversidade religiosa e os direitos das pessoas transgénero e da comunidade LGBTQIA+, e criticou a política do Presidente em matéria de imigração. Ganhou notoriedade no Texas com vídeos virais nas redes sociais, nos quais critica a aproximação entre religião e políticas conservadoras, e adoptou ainda um discurso populista contra grandes empresas, milionários e a influência do dinheiro na política.

O adversário, Ken Paxton, é procurador-geral do estado desde 2015 e um dos principais nomes da direita afecta a Trump no Texas, que lhe deu apoio. Defendeu regras mais duras para a imigração, restrições ao aborto e maior acesso a armas. O seu percurso é marcado por controvérsias: em 2023 foi alvo de um processo de destituição na Câmara estadual, por acusações de corrupção e abuso de poder, do qual saiu absolvido, e respondeu ainda a um processo por fraude de valores mobiliários, encerrado através de um acordo.

Teorias da conspiração e dinheiro de Musk

A campanha ficou marcada por episódios invulgares. No final de Setembro, Talarico esteve nove dias afastado por causa de uma gripe, o que bastou para que opositores espalhassem o boato de que estaria internado numa clínica psiquiátrica. O próprio Trump afirmou, sem apresentar provas, que o democrata é vegano e que teria comido carne para obter ganhos políticos.

Do lado republicano, Elon Musk gastou mais de 150 milhões de dólares do seu próprio bolso para apoiar Paxton. Talarico respondeu centrando a campanha na união e na fé.

Antes do dia da votação, as principais sondagens já o davam ligeiramente à frente. Num comício, duas semanas antes, afirmou: "Vamos chocar o mundo quando recuperarmos o Texas". No mesmo dia, Paxton avisou os apoiantes: "Se perdermos o Texas, perderemos a América".

A vitória num bastião republicano pode sinalizar uma reconfiguração do mapa político nacional. As projecções anteriores às eleições indicavam que os democratas deviam recuperar o controlo da Câmara dos Representantes e podiam conquistar a maioria no Senado, ambos actualmente nas mãos dos republicanos.

Com informação de G1 — Mundo.

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