A resposta do país ao mais recente surto da febre hemorrágica mortal foi amplamente elogiada pelas autoridades de saúde pública, tendo sido confirmadas duas mortes em 19 casos desde que o alerta foi dado na RDC, em meados de Maio.
Quase todos eram cidadãos congoleses que tinham atravessado a fronteira do seu país natal, onde foram confirmados mais de 933 casos e 245 pessoas morreram desde 15 de Maio. “O Ministério da Saúde do Uganda, juntamente com a Autoridade de Aviação Civil, embaixadores e operadores de companhias aéreas que servem o Uganda discutiram as restrições de viagem injustas impostas ao Uganda devido à actual situação do Ébola”, disse Diana Atwine, secretária permanente do Ministério da Saúde.
“Embora reconheçamos a necessidade de vigilância, as restrições generalizadas minam a confiança nos países que reportam surtos abertamente e não são proporcionais ao risco real”. Além dos Estados Unidos, o Canadá e os Emirados Árabes Unidos estão entre os países que impuseram proibições de entrada a viajantes do Uganda, da RDC e do vizinho Sudão do Sul em consequência do surto. Enquanto o director-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, elogiou a estratégia de Kampala numa visita ao Uganda na passada segunda-feira, a agência de saúde das Nações Unidas alertou que o surto estava a espalhar-se para novas áreas na vizinha República Democrática do Congo. Não existe vacina nem tratamento específico para a estirpe Bundibugyo do Ébola, responsável pelo surto mais recente, o 17º a atingir o vasto país da África Central.
Transmitida por contacto próximo e fluidos corporais infectados, a doença matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos.
Um mês após a declaração da epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta para lacunas na vigilância, diagnóstico, rastreio de contactos e envolvimento comunitário, defendendo uma resposta proporcional ao acontecimento. Para a coordenadora médica de emergência da MSF na RDC, Kate White, “um mês depois, a epidemia de Ébola está a superar os esforços de resposta”.
“Ninguém sabe a verdadeira dimensão ou exactamente onde a doença se está a espalhar na RDC. O que sabemos é que a maioria dos centros de tratamento na província de Ituri está sobrecarregada; muitos dos nossos doentes chegam numa fase avançada da doença e a maioria nunca foi identificada ou monitorizada como contacto antes de procurarem cuidados”, disse. A doença está a espalhar-se pelas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, no Leste da RDC, com Ituri a registar quase 95% dos casos.
A resposta, liderada pelo Ministério da Saúde congolês e apoiada por vários parceiros internacionais, está a ser implementada nas zonas afectadas. Infelizmente, a insegurança dificulta o acesso a determinadas comunidades e, mesmo em áreas mais estáveis, os esforços para detectar casos, testar doentes, identificar contactos e monitorizar a transmissão são insuficientes, refere a MSF.
União Africana e parceiros prometem arranjar 910 milhões de dólares
Os líderes africanos e os parceiros internacionais prometeram 910 milhões de dólares para reforçar os esforços de contenção do surto de Ébola Bundibugyo na República Democrática do Congo (RDC) e no Uganda, após uma cimeira de alto nível da União Africana focada no reforço da segurança sanitária do continente.
De acordo com os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças, o pacote de financiamento inclui 80 milhões de dólares em contribuições dos Estados-membros da União Africana e visa acelerar as medidas de resposta a emergências, melhorar os sistemas de vigilância e melhorar a preparação nos países afectados e em risco. Os compromissos foram anunciados durante a Reunião de Alto Nível da União Africana sobre o surto de Ébola, convocada e presidida pelo Presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye, na sua qualidade de Presidente da União Africana.
