O senador brasileiro e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, foi recebido na Casa Branca pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro, que não constava na agenda oficial de Washington, ocorre em um momento crucial da pré-campanha no Brasil e acirra a disputa política entre a oposição de direita e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Uma foto com peso eleitoral
Acompanhado por seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, o senador buscou redefinir a narrativa de sua campanha presidencial para as eleições de outubro. A visita a Washington surge como uma estratégia para recuperar terreno nas sondagens e desviar o foco de uma recente crise de imagem e investigações domésticas envolvendo o sistema financeiro no Brasil.
Embora o governo norte-americano tenha mantido uma postura discreta sobre a reunião no Salão Oval, a comitiva brasileira utilizou o registo fotográfico com Trump para reafirmar a forte ligação entre o “clã Bolsonaro” e a administração republicana.
A ofensiva contra as facções e o “narcoterrorismo”
O principal eixo da agenda de Flávio Bolsonaro em Washington foi a segurança pública — um dos temas mais sensíveis do debate político brasileiro.
Classificação de Terrorismo: O senador solicitou formalmente à Casa Branca e ao Secretário de Estado, Marco Rubio, que as duas maiores fações criminosas do Brasil — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — sejam formalmente designadas pelos EUA como organizações terroristas.
Vitória Política: Pouco após as reuniões, a administração Trump sinalizou favoravelmente à medida. Para a oposição brasileira, a decisão foi celebrada como um triunfo direto da diplomacia paralela de Flávio Bolsonaro.
“Fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros numa viagem como pré-candidato do que o atual governo em anos”, declarou Flávio Bolsonaro nas suas redes sociais.
O contraponto a Lula e a sombra das tarifas comerciais
A viagem do pré-candidato ocorreu poucas semanas após o presidente em exercício, Lula da Silva, ter visitado o mesmo Salão Oval. No entanto, o tom das duas comitivas não poderia ter sido mais divergente. Enquanto o governo oficial brasileiro manifestou forte oposição à classificação das fações como grupos terroristas — por considerar que a rotulagem abre caminho para uma interferência indevida de Washington na soberania nacional —, os bolsonaristas acusam o Palácio do Planalto de ser conivente com a criminalidade organizada.
Apesar dos ganhos políticos na área da segurança, a viagem de Flávio Bolsonaro enfrenta agora o seu primeiro teste económico. A recente proposta de Washington de impor uma nova tarifa de 25% sobre as importações provenientes do Brasil gerou atrito.
O senador apressou-se a afirmar que apelou diretamente a Trump para que não sobretaxasse as empresas brasileiras, culpando a “retórica antiamericana” de Lula pela medida restritiva. Contudo, analistas em Brasília apontam que o novo “tarifaço” poderá anular os dividendos políticos que a oposição colheu na capital norte-americana.
