Juízes do Senegal rejeitam mudança constitucional que reduziria os poderes presidenciais

O mais alto órgão judicial do Senegal rejeitou uma emenda constitucional que visava expandir o papel do parlamento e reduzir os poderes presidenciais

A nova lei foi aprovada no mês passado, mas o governo afirmou que seria submetida a referendo. O presidente Bassirou Diomaye Faye questionou a legalidade do procedimento e solicitou uma revisão de emergência no Conselho Constitucional.

Na noite de quinta-feira, o conselho decidiu que a lei era inconstitucional, paralisando efetivamente um dos projetos fundamentais da maioria parlamentar.

O debate sobre a reforma constitucional surge num momento de crescentes tensões políticas entre Faye e seu ex-primeiro-ministro, Ousmane Sonko.

Sonko foi destituído do cargo e eleito presidente da Assembleia Nacional no início deste ano. A aliança que os levou ao poder em março de 2024 desintegrou-se gradualmente. Um novo primeiro-ministro foi nomeado desde então, e a formação de um novo governo é esperada.

A oposição considera a iniciativa, proposta pelo Pastef, partido de Sonko, como uma vingança política do ex-primeiro-ministro, que mantém influência significativa sobre a maioria parlamentar.

A reforma fortaleceria os poderes do parlamento, substituiria o Conselho Constitucional por um novo Tribunal Constitucional e imporia controles mais rigorosos ao poder do presidente de dissolver a Assembleia Nacional.

Sonko saudou a decisão do conselho, afirmando que ela é vinculativa. “Este ciclo nos lembra que, em uma democracia, quando as instituições desempenham seu papel, cada uma dentro de sua esfera de influência, nenhuma crise pode surgir”, disse ele.

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