O presidente russo Vladimir Putin voltou a elevar o tom nas críticas contra a União Europeia após o bloco avançar em planos para utilizar lucros provenientes de ativos russos congelados desde o início da guerra na Ucrânia. Para Moscou, a medida representa um “roubo aberto”, e Putin advertiu que qualquer movimento nesse sentido resultará em retaliações diretas e proporcionais.
Europa avança sobre ativos congelados
Desde 2022, a União Europeia imobilizou cerca de US$ 300 bilhões em ativos do Banco Central da Rússia. A proposta em discussão prevê direcionar os lucros gerados por esses valores – não o montante principal – para financiar apoio militar e reconstrução da Ucrânia.
Mesmo assim, Moscou considera o plano uma violação grave do direito internacional e um precedente perigoso para o sistema financeiro global.
Resposta russa: medidas “espelhadas e contundentes”
Durante um pronunciamento ao Conselho de Segurança russo, Putin afirmou que a Rússia “não deixará agressões econômicas sem resposta”. Ele sugeriu medidas que podem incluir:
Confisco de bens europeus localizados na Rússia;
Restrições adicionais a empresas da UE que ainda operam no mercado russo;
Ações judiciais e diplomáticas em organismos internacionais;
Retaliações financeiras em países aliados à UE.
O Kremlin já vinha adotando, nos últimos meses, políticas de controle temporário sobre ativos estrangeiros, preparando o terreno para contra-ataques semelhantes.
Impacto no cenário global
Economistas alertam que a escalada cria risco para a estabilidade financeira internacional. O uso político de ativos congelados pode:
Provocar fuga de capitais de países ocidentais;
Enfraquecer a confiança no dólar e no euro como moedas de reserva;
Incentivar blocos econômicos paralelos, especialmente entre países alinhados à Rússia e à China.
A UE, por sua vez, argumenta que a Rússia deve arcar com os custos da guerra que desencadeou, insistindo que os lucros dos ativos congelados são um caminho legalmente sustentável e moralmente justificável.
